- Juliana Laffitte e Manuel Mendanha, do coletivo Mondongo, concluíram a obra “Argentina (paisajes)”, vendida por $ 1,2 milhão.
- A obra é composta por 15 painéis, cada um com três metros de comprimento e dois de altura, pesando quase 100 quilos.
- O processo criativo levou cinco anos e foi inspirado pela natureza de Entre Ríos.
- Os artistas utilizam uma técnica chamada “esculpintar”, que combina pintura e escultura com plastilina.
- Mondongo foi fundado em 1999 e, após mudanças na formação, os artistas decidiram explorar novos materiais e técnicas.
Juliana Laffitte e Manuel Mendanha, artistas de Buenos Aires, formam o coletivo Mondongo, famoso por suas obras que combinam pintura e escultura com materiais inusitados, como a plastilina. Recentemente, eles concluíram a obra “Argentina (paisajes)”, vendida por 1,2 milhões de dólares, um marco na arte argentina.
A obra é composta por 15 painéis de três metros de comprimento por dois de altura, cada um pesando quase 100 quilos. Os artistas utilizaram uma base de madeira, cola vinílica, arames e cartões, antes de aplicar a plastilina em camadas. O processo criativo começou durante uma viagem a Entre Ríos, onde se inspiraram na natureza exuberante da região. “Começamos a ver a natureza como algo espetacularmente divino”, afirma Juliana.
O trabalho levou cinco anos para ser finalizado. Os artistas, que se revezam nas falas, destacam que a obra é um “paisagem que não existe na realidade”, resultado da fusão de diferentes locais em um único relato. Eles também desenvolveram uma técnica chamada “esculpintar”, que mistura pintura e escultura, utilizando a plastilina como seu material principal.
Processo Criativo
Mondongo começou em 1999 com três integrantes, mas, após a saída de Agustina Picasso, Juliana e Manuel decidiram quebrar a individualidade e experimentar novos materiais. “O povo se reflete na monarquia,” justificaram ao criar retratos da Família Real espanhola com espelhos coloridos, o que impulsionou suas carreiras.
A plastilina se tornou seu material insignia após um projeto infantil. Eles descobriram que, ao aquecê-la, ela se tornava quase líquida, permitindo novas técnicas de aplicação. “Não nos damos o luxo de cair no tédio,” afirmam, enfatizando a importância de manter a criatividade viva.
Desafios e Inovações
Os artistas enfrentam o desafio de criar obras “lentíssimas” em um mundo que valoriza a rapidez. Recentemente, eles também exploraram temas como Caperucita Roja e homenagens a Antonio Berni. O crítico de arte Héctor Olea descreve sua técnica como uma fusão única de pintura e escultura.
Juliana e Manuel trabalham em um ambiente sem luz natural, o que, segundo eles, ajuda a eliminar a noção de tempo. “Quando estamos concentrados, as necessidades corporais desaparecem,” diz Manuel. Com uma rotina intensa, eles dedicam horas ao trabalho, sempre em busca de novas inspirações e desafios.
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