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O fungo negro de Chernobyl que pode consumir radiação

Fungos melanizados de Chernobyl crescem com radiação e podem servir de barreira radiativa para futuras bases espaciais.

Getty Images
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  • Fungos melanizados encontrados em Chernobyl crescem em direção à radiação e podem usar energia da radiação para crescer (radiossíntese).
  • Pesquisas mostram que a melanina ajuda esses fungos a absorver radiação e a aumentar a taxa de crescimento em presença de radiação ionizante.
  • Experimentos na Estação Espacial Internacional indicaram que fungos protegiam radiação e, em alguns casos, bloqueavam parte da radiação conforme o fungo se desenvolvia.
  • A ideia de “myco-arquitetura” sugere usar fungos para construir estruturas em bases lunares ou marcianas, reduzindo peso de materiais de proteção radiativa.
  • Contexto: após o acidente de 1986, criou-se a zona de exclusão de 30 quilômetros em torno de Chernobyl, onde os fungos ganharam presença e diferentes estudos aprofundam o papel da radiação na vida.

Depois do acidente de 1986 em Chernobyl, foi criada a zona de exclusão de 30 km. Pesquisadores observaram fungos melanizados crescendo em áreas radioativas, sugerindo radiotropismo. Estudos recentes ampliam essa ideia, apontando que esses fungos podem usar a radiação para crescer, fenômeno chamado radiossíntese. As pesquisas incluem trabalho na ISS com fungos expostos a radiação cósmica.

Entre os nomes citados, destaca-se a pesquisadora russa Nelli Zhdanova, que em 1997 percorreu as ruínas da usina para documentar fungos que se expandiam por tetos, paredes e conduítes. Suas análises mostraram que a melanina dos fungos poderia funcionar como proteção contra radiação, além de indicar crescimento direcionado pela radiação. Análises antigas também mostraram que somente parte das espécies melanizadas respondia ao césio-137.

Outra linha de estudo é de Ekaterina Dadachova, que em 2007 relatou que o crescimento de fungos melanizados aumenta na presença de radiação, sugerindo uso da energia radiation para impulsionar a metabolização — a ideia central da radiossíntese. Experimentos mostraram que fungos irradiados cresceram mais rápido e consumiram energia radiante, com o papel da melanina em foco.

Radiação e fungos melanizados

Pesquisas posteriores indicaram que nem todas as espécies apresentam radiotropismo. Em 2006, apenas nove de 47 espécies coletadas em Chernobyl mostraram crescimento em direção ao cesio-137. Em 2022, estudos no Sandia National Laboratories não detectaram diferença de crescimento entre fungos melanizados e não melanizados expostos à radiação. Ainda assim, testes no espaço indicaram efeito semelhante: o fungo Cladosporium sphaerospermum cresceu 1,21 vezes mais sob radiação galáctica do que em Terra, em 26 dias de exposição na Estação Espacial Internacional.

Aplicações e perspectivas

O estudo sugere potenciais usos para proteção de astronautas contra radiação cósmica, com a ideia de “myco-architecture” — estruturas feitas de fungos que podem oferecer barreiras radiativas. Experimentos na ISS mostraram que o crescimento do fungo reduziu a passagem de radiação sob a amostra, ainda que haja incerteza sobre o papel exato da melanina. Pesquisadores ressaltam que a água e outros componentes biológicos também colaboram na proteção, além da possibilidade de reduzir custos de lançamento ao permitir estruturas vivas.

Brasil e mundo avaliam caminhos para bases lunares ou marcianas, onde barreiras radiativas são cruciais. Pesquisas seguem para esclarecer mecanismos da radiossíntese, com o objetivo de confirmar se os fungos podem realmente converter radiação em energia utilizável para o crescimento e proteção de missões no espaço.

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