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Pé de 3,4 milhões de anos revela parente enigmático que conviveu com Lucy

Fósseis ligam o Pé de Burtele a Australopithecus deyiremeda, revelando variações de locomção bípede e dieta distinta, e coexistência com Australopithecus afarensis

(ASU Institute of Human Origins via Youtube/Reprodução)
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  • Em 2009, no vilarejo Woranso-Mille, na Etiópia, foram encontrados oito ossos do pé de um hominídeo de 3,4 milhões de anos, apelidado de Pé de Burtele.
  • O fóssil não combinava com Australopithecus afarensis (Lucy), e depois de anos de pesquisa faltava referência dentária para confirmar espécie.
  • Pesquisadores associaram o Pé de Burtele a Australopithecus deyiremeda, descrita em 2015, com confirmação publicada na revista Nature.
  • A anatomia do pé mostrava dedão oponível e dedos mais longos, sugerindo caminhada bípede com adaptação arborícola e impulso do segundo dedo.
  • Análises de dentes indicaram dieta dominante de plantas C3 (árvores/arbustos), permitindo coexistência com A. afarensis sem competição direta por alimento; estudo também analisou mandíbula de uma criança para entender o crescimento.

Em 2009, pesquisadores escavaram Woranso-Mille, na Depressão de Afar, Etiópia, e encontraram oito ossos do pé com cerca de 3,4 milhões de anos. O fóssil ficou conhecido como Pé de Burtele. Logo, ficou claro que não pertencia à Australopithecus afarensis, gênero da Lucy.

Novos fósseis próximos ao local permitiram associar o Pé de Burtele à espécie Australopithecus deyiremeda, proposta em 2015 a partir de mandíbulas e dentes. A conexão foi descrita em artigo na Nature, após anos de campo e análise de materiais adicionais.

O Pé de Burtele apresentava dedo oponível no pé, diferente de A. afarensis, que tinha o dedão alinhado aos demais dedos. Os outros dedos eram longos e curvos, indicando capacidade de subir em árvores, ainda que o deslocamento bípede fosse feito principalmente pelo segundo dedo.

A dieta de A. deyiremeda, determinada por análise de carbono em esmalte dentário, mostrava predomínio de plantas classificadas como C3, ou seja, árvores e arbustos. Já a mandíbula infantil analisada por microtomografia revelou padrões de crescimento semelhantes aos de macacos atuais e de outros australopitecinos primitivos.

Para a comunidade científica, a identificação reforça a coexistência de espécies de hominídeos na região e sugere diversas estratégias de locomoção e alimentação no passado. Observações indicam que várias linhagens exploravam recursos distintos na mesma floresta, reduzindo disputas diretas por alimento.

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