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Mais da metade do carbono orgânico do solo brasileiro está na Amazônia

MapBiomas Solo aponta que o Brasil guarda 37,5 Gt de carbono orgânico no solo; Amazônia concentra mais da metade, com textura influenciando água e uso da terra

1 de 1 Projeto de reflorestamento da floresta amazônica no Maranhão. — Foto: Divulgação/re.green
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  • O Brasil possui 37,5 gigatoneladas de carbono orgânico no solo na camada de 0 a 30 centímetros, com média de 44,1 t/ha; mais da metade desse estoque (52%) está na Amazônia.
  • Em 60 a 100 centímetros, 63,6% dos solos são argilosos; 35,9% do território armazena entre 40 e 50 t/ha de carbono.
  • Várzeas amazônicas acumulam silte e grandes estoques de carbono devido aos sedimentos transportados pelos rios; Cerrado, Caatinga e Pantanal têm solos mais arenosos, com menor retenção de água e carbono.
  • Nove por cento do território (aproximadamente 77 milhões de hectares) apresentam pedregosidade dominante nos primeiros 100 cm, dificultando mecanização e armazenamento de água, com impacto mais acentuado na Caatinga.
  • A textura do solo e o teor de carbono variam entre biomas, com solos argilosos e muito argilosos geralmente acima de 50 t/ha; solos arenosos ficam em média em torno de 32 t/ha; expansão de pastagens ocorreu sobre solos médios e arenosos, e a silvicultura se concentrou em solos pedregosos superficiais.

O Brasil abriga 37,5 gigatoneladas de carbono orgânico no solo, segundo a pesquisa MapBiomas Solo (1985–2024). Na camada de 0–30 cm, a média é de 44,1 t/ha, com 35,9% do solo entre 40 e 50 t/ha. A maior parte do estoque fica na Amazônia, respondendo por 52% do total.

O estudo aponta que, em profundidade de 60–100 cm, 63,6% do solo brasileiro é argiloso. Vários biomas apresentam padrões distintos de textura e carbono: várzeias com silte; Cerrado, Caatinga e Pantanal com solos arenosos. Cerca de 9% do território tem pedregosidade dominante nos primeiros 100 cm.

A integração de textura, carbono e pedregosidade permite entender como o uso do solo atua sobre armazenamento de carbono, água e ocupação da terra. Solos mais teores de argila costumam manter mais carbono e água, enquanto solos arenosos apresentam menor capacidade de retenção.

Entre 1985 e 2024, a expansão de pastagens ocorreu sobre solos médios e arenosos, já a agricultura se intensificou em áreas pouco pedregosas nos primeiros 90 cm. A silvicultura concentrou-se em solos superficiais pedregosos, favorecendo espécies com raízes profundas.

O estudo ressalta que 9% do território brasileiro possui pedregosidade dominante nos primeiros 100 cm, o que dificulta mecanização e reduz a capacidade de armazenamento hídrico, especialmente na Caatinga. Solos argilosos, muito argilosos e siltosos costumam armazenar mais de 50 t/ha de carbono.

Segundo a pesquisadora Taciara Zborowski Horst, essa distribuição reflete a diversidade climática, geológica e ecológica do país. A análise integrada permite avaliar os biomas com maiores potencialidades de carbonização e de recarga de aquíferos.

Variações por bioma

As várzeas amazônicas acumulam silte e grandes estoques de carbono devido aos sedimentos transportados pelos rios. Mata Atlântica apresenta solos com alta parcela de argila, favorecendo retenção de água, nutrientes e carbono. Cerrado, Caatinga e Pantanal apresentam perfis mais arenosos.

Implicações para uso do solo

A pesquisa destaca a relação entre textura do solo e armazenamento de carbono. Isso orienta políticas públicas e manejo agrícola, com foco em conservar fertilidade, reduzir erosão e melhorar a infiltração de água em diferentes regiões.

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