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Movimento antivacinas chega ao poder e boicota imunização mundial

Cancelamento de mais de US$ 1 bilhão em pesquisas com mRNA e substituição do comitê de imunização elevam risco de retrocesso científico e de surtos nos EUA

(The Washington Post/Getty Images)
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  • Em agosto, o secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., cancelou contratos de financiamento público para pesquisas com vacinas de mRNA contra gripe aviária, influenza e Covid-19, totalizando cortes de mais de US$ 1 bilhão.
  • Os projetos eram liderados por grandes universidades e pela Pfizer e pela Moderna.
  • Em junho, RFK Jr. demitiu os 17 especialistas independentes do comitê de imunização infantil, substituindo-os por indicados por ele; em dezembro, o comitê revogou a recomendação de vacinar recém-nascidos contra a hepatite B.
  • Em novembro, o site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), sob ordens de RFK Jr., passou a ligar vacinas ao autismo. O político também defende medidas como pressionar a indústria alimentícia a abandonar corantes artificiais.
  • Em 2025, os EUA enfrentam o maior surto de sarampo desde o status de livre da doença, com mais de 1.900 casos e três mortes; casos de coqueluche também aumentam, e o país corre risco de perder o status de eliminação caso não contamine até janeiro de 2026.

O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., anunciou, em agosto, o cancelamento de contratos de financiamento público para pesquisas com vacinas de mRNA contra gripe aviária, influenza e Covid-19. O corte total já passa de US$ 1 bilhão, envolvendo grandes universidades e farmacêuticas como Pfizer e Moderna.

RFK Jr. já havia demitido, em junho, os 17 especialistas independentes do comitê que orienta o calendário de imunização infantil. Eles foram substituídos por indicados do próprio secretário, nem todos da área de saúde.

Em dezembro, o comitê revisou a recomendação de vacinação de recém-nascidos contra a hepatite B, contrariando décadas de consenso científico. A expectativa é de que mudanças semelhantes ocorram nos próximos anos.

Contágio político da pauta

Pouco antes, em novembro, o site do CDC passou a associar vacinas ao autismo, sob ordens de RFK, acordo estratégico alvo de críticas. Estudos reiteram que não há relação comprovada entre vacinas e autismo.

RFK Jr. aparece defendendo, ao mesmo tempo, hábitos saudáveis e propostas para reduzir o uso de aditivos na indústria alimentícia. No entanto, sustenta posições contrárias ao consenso científico sobre vacinas.

Impacto na saúde pública global

As ações refletem uma contradição entre avanços científicos e políticas antivacinas. Enquanto o governo financiou pesquisas com mRNA, promessas de boicote a vacinas aparecem em sua gestão.

Em 2025, os EUA enfrentam o maior surto de sarampo desde a década passada, com mais de 1.900 casos e três mortes. A doença começou no Texas, com disseminação devido à queda na vacinação.

Panorama internacional

Casos de coqueluche também aumentam nos EUA, com fatores como acesso a serviços de saúde e informação pública. O Canadá observa surto de sarampo ainda mais intenso, sem alcance de eliminação.

A situação ressalta a necessidade de esclarecer dados científicos e fortalecer a comunicação pública. A saúde global depende da confiança na ciência e na orientação das autoridades sanitárias.

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