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Quando deixamos de ser franceses: questões de cidadania e identidade

A edição de A Racionalidade Equívoca revela como Lebrun moldou a filosofia brasileira e evidencia o alcance da professionalização universitária

O princípio. Na era de Tobias Barreto e Sílvio Romero, a filosofia dava voos baixos – Imagem: Acervo do Governo de Sergipe e Acervo Biblioteca Nacional/RJ
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  • A filosofia no Brasil ganhou formato profissional com a criação da universidade USP, em 1934, que trouxe professores europeus, principalmente da França, para estruturar o ensino nas humanidades.
  • Em visita ao Brasil, Michel Foucault comentou que tínhamos “um belo departamento francês de ultramar” e apontou que, a partir dos anos setenta, os programas de pós‑graduação seguiram esse modelo, consolidando a profissionalização.
  • Gérard Lebrun tornou-se o símbolo da influência francesa na filosofia da USP, destacando‑se como o mais emblemático professor importado para as humanidades.
  • A edição de A racionalidade equívoca: Inéditos e Dispersos, organizada por Ruth Lanna e Pedro Paulo Pimenta, reúne artigos de Lebrun, incluindo textos deixados para leitura por Bento Prado Júnior a Paulo Eduardo Arantes há mais de meio século.
  • O livro ilustra a difícil relação entre pensamento ensaístico e formação acadêmica: Lebrun defendia um pensamento aberto, tateante e interdisciplinar, distinto da forma de ensino que, então, privilegiava o paper.

Há uma nova edição que mapeia a formação da filosofia no Brasil por meio de Gérard Lebrun. A Racionalidade Equívoca reúne inéditos e dispersos do pensador francês, que atuou na USP, na década de 1970, durante o processo de profissionalização.

A obra, organizada por Ruth Lanna e Pedro Paulo Pimenta, reúne textos de Lebrun publicados originalmente em horizontes acadêmicos variados. O livro é publicado pela Unesp, tem 352 páginas e preço sugerido de 79 reais.

Contexto da profissionalização

A coletânea dialoga com a história da filosofia brasileira, marcada pela influência de professores europeus contratados para estruturar as primeiras pós-graduações. O episódio é visto como parte de um movimento maior de institucionalização do saber no país.

Lebrun na USP

Gérard Lebrun é apresentado como um dos nomes mais emblemáticos da filosofia na USP, cuja atuação ajudou a consolidar um estilo de pensamento crítico ainda presente no meio acadêmico. A coletânea recupera a sua voz para entender o processo formativo.

Conteúdo e perspectivas

O livro abre com um ensaio que analisa a relação entre pensamento, memória e tempo a partir de Hegel, Freud e Bergson, entre outros. A seleção ressalta a coragem intelectual de explorar fronteiras entre saberes sem perder a clareza.

Relevância para o debate

A edição revela como o ideal de pensamento de Lebrun influenciou gerações e também apontou limites da formação universitária na época. O conjunto evidencia uma prática ensaística que contraria o modelo de artigo científico estrito.

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