- Médicos indianos alertam sobre uso não regulamentado de injeções de perda de peso, destacando que não são solução mágica para diabetes e obesidade.
- Em oito meses desde a aprovação, Mounjaro tornou-se o fármaco mais vendido na Índia, ultrapassando antibióticos.
- A expiração de patentes em março deve abrir espaço para versões nacionais mais baratas de semaglutídeo, aumentando a competição.
- A Novo Nordisk e a Eli Lilly intensificam a presença no mercado com Ozempic e o desenvolvimento de opções genéricas/pílulas, com preços variando entre marcas.
- Especialistas projetam que o mercado de fármacos de emagrecimento na Índia chegue a até US$ 150 bilhões por ano até o fim da década, com necessidade de fiscalização rigorosa.
A Índia enfrenta uma epidemia de diabetes e obesidade, e profissionais de saúde alertam para o risco de uso não regulamentado de injeções para perda de peso. A demanda por fármacos que suprimem o apetite escalou após a entrada no mercado nacional neste ano.
Em oito meses desde a aprovação, Mounjaro tornou-se o medicamento mais vendido do país, superando antibióticos. O sucesso comercial levou a Eli Lilly a iniciar estudos de uma versão similar em formato de pílula para possível lançamento no próximo ano.
A Novo Nordisk também atua no mercado, com Ozempic lançado a preço competitivo. Em comparação, Mounjaro custa cerca de 14 mil rúpias mensais, enquanto Ozempic fica em torno de 8,8 mil rúpias por mês, tornando a opção mais acessível para famílias brasileiras da Índia, segundo especialistas.
Perspectivas de mercado e patentes
As patentes de semaglutídeos devem expirar em março, abrindo espaço para fabricantes nacionais desenvolverem versões mais baratas. Analistas estimam que o mercado de fármacos para perda de peso na Índia possa chegar a US$ 150 bilhões por ano até o fim da década.
Profissionais de saúde destacam que o acesso ampliado não implica fim da epidemia de obesidade e diabetes. Dados sugerem que, sem mudanças de estilo de vida, os avanços terapêuticos terão efeito limitado.
Desafios e riscos
Médicos enfatizam a necessidade de regulação rigorosa na prescrição, evitando uso indiscriminado por farmacêuticos, consultórios e clínicas de estética. Existem preocupações sobre efeitos colaterais, como perda de massa muscular, complicações pancreáticas e riscos oculares em determinados pacientes.
Especialistas defendem que o tratamento deve ocorrer dentro de programas supervisionados por especialistas, com avaliações médicas contínuas. Mesmo com as vantagens, opinam que mudanças de hábitos alimentares e atividade física continuam como base do combate à obesidade e ao diabetes.
A. Misra, endocrinologista, aponta que a demanda atual excede políticas e dados oficiais, sugerindo uma supervisão mais rígida. Ele ressalta que a epidemia exige educação nutricional, dietas equilibradas, exercícios e medicamentos acessíveis quando necessário, em um plano de longo prazo.
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