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Mais olhos no céu ajudam a reduzir rastros de condensação que aquecem o clima

Mais olhos no céu: MIT mostra que imagens de GEO perdem 80% dos contrails vistos por satélites de baixa órbita, recomendando uso combinado com LEO e câmeras terrestres

Contrails in sky
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  • Estudo da MIT aponta que imagens de satélites geossíncronos (GEO) perdem cerca de oitenta por cento dos contrails vistos por satélites de baixa órbita (LEO), captando principalmente os mais largos e velhos.
  • Constatam que GEO tem maior cobertura espacial e frequência, mas menor resolução, enquanto LEO captura trails menores e mais recentes, ainda que com menor frequência.
  • Os pesquisadores defendem abordagem multiobservacional (GEO, LEO e câmeras terrestres) para entender melhor a evolução dos contrails e seu impacto climático.
  • O objetivo é ajudar no desenvolvimento de sistemas de identificação e evitação de contrails, possibilitando prever onde eles se formam e orientar mudanças de altitude em tempo real.
  • Futuras etapas incluem combinar dados de GEO, LEO e redes de câmeras terrestres para aperfeiçoar modelos de previsão e reduzir o aquecimento causado pelos contrails.

O estudo, realizado por pesquisadores do MIT, aponta limites do uso exclusivo de imagens de satélite geoestacionário para evitar contrails, traços de condensação causados pelo frio e vapor de água da atmosfera. A pesquisa compara imagens de satélite GEO com imagens de satélites em órbita baixa da Terra (LEO) para entender melhor onde os contrails se formam e como reduzí-los. O objetivo é aprimorar sistemas de identificação e evasão para reduzir o impacto climático da aviação.

Os pesquisadores analisaram imagens de contrails de dois instrumentos: o Advanced Baseline Imager (ABI), em GEO, e o Visible Infrared Radiometer Suite (VIIRS), em LEO. Foram avaliadas imagens mensais da região contígua dos Estados Unidos entre dezembro de 2023 e novembro de 2024, com leitura em infravermelho e cores falsas para facilitar a identificação. As contrails foram delineadas manualmente pelos pesquisadores.

O principal resultado mostra que GEO não captura cerca de 80% dos contrails observados em imagens de LEO. Traços maiores e mais antigos costumam aparecer nas imagens de GEO, enquanto contrails menores e mais recentes ficam comprovadamente sob a detecção de LEO. A conclusão aponta para uma abordagem multissensor para melhorar previsões e estratégias de evasão.

Imagens e limitações

“Imagens GEO são fundamentais pela cobertura espacial e frequência de coleta, mas não entregam a clareza necessária para todas as situações”, afirma Marlene Euchenhofer, coautora do MIT. A equipe ressalta que depender apenas de GEO é insuficiente para orientar políticas ou ações das companhias aéreas.

Caminhos para aprimorar a detecção

Os autores defendem combinar GEO, LEO e dados terrestres para obter uma visão mais completa da evolução dos contrails ao longo do tempo. Observações terrestres podem identificar contrails jovens, muitas vezes ausentes nas imagens de GEO, permitindo associar o contrail ao voo correspondente e estimar a altitude de formação.

Perspectivas de uso prático

Os pesquisadores destacam que, com dados suficientes, seria possível desenvolver modelos de previsão em tempo real para indicar se um voo se dirige a uma região propensa a contrails. Nesse caso, a aeronave poderia ajustar a altitude para evitar a formação ou a persistência do traço.

O estudo será publicado na revista Geophysical Research Letters e conta com coautoria de Marlene Euchenhofer, Sydney Parke, Ian Waitz e Sebastian Eastham, além de colaboração de Imperial College London. O trabalho conta com apoio da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA).

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