- Amanda Nguyen, astronauta vietnamita-americana, participou da missão feminina da Blue Origin, a qual durou 11 minutos em abril, tornando-a a primeira mulher vietnamita no espaço.
- Ela disse ter enfrentado um “tsunami de assédio” e depressão após a viagem, que teria deixado suas conquistas profissionais “submersas sob misoginia”.
- Em declaração no Instagram, Nguyen relatou que a reação negativa foi tão intensa que chegou a levar meses de tristeza e dificuldades para speak com a equipe da Blue Origin.
- A ativista para sobreviventes de estupro destacou que a crítica afetou sua saúde mental, embora tenha ressaltado também impactos positivos divulgados pela missão, como atenção a pesquisas de saúde da mulher.
- Nguyen afirma que, oito meses depois, o “nevoeiro da dor” começou a se dissipar e agradeceu a quem a apoiou, lembrando que sua trajetória ganhou visibilidade e oportunidades de advocacy.
Amanda Nguyen, astronauta vietnamita-americana, relatou depressão após a missão espacial com a tripulação predominantemente feminina da Blue Origin. Em mensagem publicada no Instagram, ela descreveu o que chamou de tsunami de assédio após o voo. Nguyen foi a primeira mulher vietnamita a ir ao espaço.
A missão histórica ocorreu em abril, durou cerca de 11 minutos e contou com integrantes de destaque, incluindo a cantora Katy Perry, a jornalista Gayle King e a jornalista Lauren Sánchez, esposa do fundador da Blue Origin. A operação recebeu críticas pela pegada ambiental e pelo uso de recursos.
Nguyen, ativista de direitos civis e pesquisadora em bioastronáutica, disse que a reação negativa afetou significativamente sua carreira e seus sonhos, dizendo que as conquistas profissionais ficaram ofuscadas pela misoginia em grande escala. Ela mencionou que a cobertura midiática e as reações nas redes sociais foram extraordinárias.
Segundo ela, a pressão intensa foi tão grande que houve dias em que não conseguiu sair da cama e, ao final de uma ligação com um assessor sênior da Blue Origin, precisou desligar por não conseguir falar entre lágrimas. Em outra passagem, afirmou que a depressão pode durar anos.
Em entrevista ao The Guardian, Nguyen havia contado que o objetivo de longas batalhas pessoais contra violência sexual moldou sua trajetória, inclusive levando a reconhecimentos como indicação ao Nobel da Paz em 2019 e destaque entre as mulheres do ano da Time, em 2022.
Mesmo diante da repercussão negativa, a astronauta apontou aspectos positivos emergentes, como a atenção da mídia para pesquisas em saúde da mulher e oportunidades de encontros com líderes mundiais vinculados à defesa de sobreviventes de estupro. Nguyen também agradeceu o apoio recebido.
O relato atual, oito meses após o sonho de ir ao espaço ter se realizado, indica que o “névoa de luto” começou a se dissipar, segundo a própria Nguyen. Ela afirmou que a comunidade vietnamita a ajudou a sobreviver e afirmou que a gratidão é mútua.
Nguyen encerrou a publicação divulgando uma foto de época de sua juventude em Harvard, destacando a trajetória de uma refugiada que chegou aos Estados Unidos e, agora, à fronteira espacial. A mensagem reforça a ideia de superação e de legado para futuras gerações.
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