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Richar Antonio Demetrio, pesquisador Asháninka publicado, comenta abelhas

Primeiro pesquisador Asháninka publicado em revista de alto impacto destaca TEK sobre abelhas sem ferrão e práticas sustentáveis de meliponicultura

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
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  • Richar Antonio Demetrio é o primeiro pesquisador Asháninka a publicar em revista de alto impacto, com estudo sobre abelhas sem ferrão na floresta central do Peru (março de 2025, Ethnobiology and Conservation).
  • Trabalho documenta conhecimento ecológico tradicional de comunidades Asháninka em Marontoari e Pichiquia sobre abelhas sem ferrão e meliponicultura.
  • As comunidades conseguem identificar mais de 14 espécies de plantas usadas pelas abelhas para construir ninhos, revelando compreensão sofisticada da biodiversidade local.
  • Práticas tradicionais de produção de mel incluem manejo sem cortar árvores e uso de cinza para controle de pragas.
  • Segundo estudo adicional (julho), mais de cinquenta por cento do habitat de abelhas sem ferrão na Reserva de Biosfera Avireri-Vraem está em áreas com alto risco de desmatamento, afetando nidificação, recursos florais e reprodução.

Richar Antonio Demetrio, pesquisador Asháninka, teve seu trabalho reconhecido em nível internacional ao ser o primeiro da sua etnia a publicar em um periódico de alto impacto. O estudo, publicado em março de 2025, registra conhecimentos ecológicos tradicionais sobre abelhas sem ferrão em comunidades da floresta central do Peru.

A pesquisa ocorreu nas comunidades de Marontoari e Pichiquia, ambas situadas na Amazônia peruana. Os autores destacam que os Asháninka identificam mais de 14 espécies de plantas usadas pelas abelhas para construir ninhos, evidenciando uma compreensão sofisticada da biodiversidade local.

Além da publicação, Demetrio publicou outro artigo em julho no Journal of Ecology and Environment. O estudo aponta que mais de metade do habitat das abelhas sem ferrão na Reserva de Biosfera Avireri-Vraem está em áreas com alto risco de desmatamento, o que ameaça os nichos de nidificação e recursos florais.

Demetrio nasceu em Caperucía, no interior de Junín, e interrompeu estudos formais para retornar ao uso de saberes tradicionais. Ele ingressou na academia por meio de cursos promovidos pela SERNANP e, desde 2018, vem integrando o conhecimento indígena com métodos científicos para estudar as abelhas.

A participação de Demetrio na ciência é destacada por colegas, que ressaltam a importância de incorporar o saber indígena a estratégias de manejo sustentável. A equipe envolve também Rosa Vásquez Espinoza, pesquisadora da NGO Amazon Research Internacional, que descreve a trajetória dele como pioneira para a comunidade Asháninka.

O estudo evidencia práticas de melipultura que prescindem do corte de árvores e o uso de carvão na gestão de pragas, reforçando uma abordagem de produção de mel mais sustentável. Os autores defendem a continuidade de pesquisas que conectem sabedoria tradicional e ciência ocidental.

Demetrio relata que a trajetória envolveu longas etapas educacionais e desafios, como a necessidade de buscar educação formal fora da comunidade. Ainda assim, ele destaca que a experiência prática na reserva o levou a aplicar métodos científicos às comunidades Asháninka.

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