- Fundação do Câncer lançou nova versão do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, em 8 de janeiro, durante o Janeiro Verde, para orientar a transição do rastreamento do Papanicolau para o teste de DNA-HPV.
- O objetivo é substituir gradualmente o Papanicolau pelo DNA-HPV no SUS, com implementação iniciada em setembro do ano passado, em municípios de 12 estados.
- O público-alvo permanece mulheres entre 25 e 64 anos; quando o HPV é negativo, o intervalo de rastreamento pode chegar a cinco anos, já que o DNA-HPV é mais sensível.
- Caso haja resultado positivo para HPV de alto risco (principalmente tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos), o encaminhamento para colposcopia é imediato. Outros tipos de HPV podem exigir citologia reflexa.
- A iniciativa integra as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, com metas da OMS para 2030: 90% de vacinação, 70% rastreio com DNA-HPV e 90% de tratamento das lesões.
A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira 8 uma versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero. O documento faz parte do Janeiro Verde, mês de conscientização. A atualização acompanha a transição do rastreamento para o DNA-HPV.
A nova edição orienta profissionais de saúde sobre a implementação gradual do teste molecular de DNA-HPV no SUS. O objetivo é substituir, aos poucos, o Papanicolau, exame citológico utilizado até aqui para detecção de alterações cellulares.
Segundo a consultora médica Flávia Corrêa, a implementação começou em setembro do ano passado. Um núcleo ligado à Secretaria de Atenção Especializada em Saúde coordena a iniciativa.
Avanço gradual e estados envolvidos
O SUS incorporou os testes moleculares para HPV oncogênico em 2024. Inicialmente, 12 estados iniciaram a implementação, com avaliações de evolução em cada município. Em seguida, outros 12 estados devem receber apoio do Ministério da Saúde.
Em áreas onde o DNA-HPV ainda não chegou, permanecem válidas as regras do rastreamento citológico. A transição ocorre de forma gradual e cuidadosa para evitar confusões entre métodos.
Diretrizes e público-alvo
O guia incorpora as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento aprovadas pela Conitec, que preveem a substituição gradual do Papanicolaou pelo DNA-HPV. O objetivo é ampliar a detecção precoce de lesões associadas ao HPV.
O rastreamento com DNA-HPV é mais sensível e automatizado, segundo Flávia Corrêa. O exame permite ampliar o intervalo entre ultrassonografias de rastreamento para até cinco anos, quando o resultado é negativo.
Unidades de encaminhamento
Caso haja detecção de HPV 16 ou 18, responsáveis por cerca de 70% dos cânceres, o encaminhamento para colposcopia é imediato. Outros tipos de HPV oncogênico também são avaliados com citologia reflexa no material coletado.
Se a citologia for normal, a paciente retorna com o HPV em um ano. Se houver alterações, segue para avaliação adicional. A estratégia busca reduzir diagnósticos tardios.
Pilares da política e metas
A OMS estabeleceu, em 2020, uma estratégia global para eliminar o câncer de colo do útero, com metas para 2030: vacinar 90% das meninas, rastrear 70% das mulheres e tratar 90% das lesões. A vacinação continua sendo central para a prevenção primária.
O Programa Nacional de Imunizações trabalha para elevar a proteção contra HPV. A vacinação é ofertada gratuitamente pelo SUS a grupos prioritários, incluindo pessoas com HIV/Aids e pacientes oncológicos. A faixa de 20 a 45 anos não tem vacinação ampliada pelo SUS.
Realidade brasileira e próximos passos
A adoção do DNA-HPV aproxima o Brasil de modelos internacionais, com maior detection precoce. Profissionais de saúde destacam a importância de fortalecer a rede de cuidado para acompanhar a transição.
O guia reforça que a prevenção depende de ações coordenadas, desde a vacinação até o diagnóstico e o tratamento oportuno. A Fundação do Câncer orienta a continuidade de ações alinhadas às diretrizes nacionais.
Este é o conteúdo do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, publicado pela Fundação do Câncer. O material visa orientar a implementação do rastreamento molecular no país.
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