- A população de tubarões brancos na África do Sul está desaparecendo devido principalmente a atividades humanas, afetando um predador de alto nível da cadeia.
- Desde 2018, as principais áreas de agregação no Cabo Ocidental ficaram praticamente vazias.
- Entre 1978 e 2018, redes e linhas de deriva da KwaZulu-Natal Sharks Board registraram, em média, 28 mortes anuais; somadas à captura acidental na pesca de arrasto demersal, o total pode chegar a 44 mortes por ano.
- Estima-se que a população total varie entre 500 e 1.000 indivíduos, o que não é sustentável diante das mortes causadas pelo homem.
- Especialistas pedem redução da mortalidade causada por atividades humanas e atualização das diretrizes de pesca para proteger a espécie; o governo ainda não respondeu ao pedido de comentário.
A população de grandes tubarões brancos na África do Sul vem diminuindo, com a maioria dos animais desaparecendo dos principais locais de agregação no Cabo Ocidental desde 2018. Pesquisadores associam a queda a atividades humanas, além de pressões naturais que podem estar redesenhando a distribuição da espécie.
Um grupo de cientistas e conservacionistas revisou dados históricos e novos para concluir que a fresta entre expectativa e realidade é grave. Entre os autores está o biólogo marinho Enrico Gennari, que aponta risco de extinção local se as tendências atuais persistirem.
As investigações indicam que predadores na superfície, incluindo orcas, contribuiriam para mudanças de distribuição. No entanto, os pesquisadores destacam que a maioria da queda decorre de ações humanas, que afetam a mortalidade dos tubarões.
Impacto humano na mortalidade
O KwaZulu-Natal Sharks Board (KZNSB) mantém um programa de controle leal de tubarões brancos para a segurança balnear. Entre 1978 e 2018, redes e longas de tainha teriam causado, em média, 28 mortes anuais de grandes brancos. Além disso, a espécie é capturada como descarte na pesca com iscas demersais.
Segundo o estudo, essas atividades podem somar em média 44 mortes de brancos por ano. Em conjunto, isso representaria entre 5% e 10% da população global estimada, hoje entre 500 e 1.000 indivíduos.
Dados e perspectivas
Os autores ressaltam que, mesmo com esforços de proteção, a população não seria sustentável se tais níveis de mortalidade persistirem. O estudo recomenda reduzir fontes antropogênicas de mortalidade e reavaliar diretrizes pesqueiras para proteger a espécie, incluindo nações costeiras.
Além disso, o artigo sugere que as autoridades, incluindo o governo sul-africano, adotem medidas mais rigorosas de proteção enquanto há incerteza científica, adotando uma abordagem de precaução.
Chamado à ação institucional
A reportagem não recebeu resposta oficial do Departamento de Florestas, Pesca e Meio Ambiente da África do Sul sobre o tema até o fechamento desta edição. As autoridades são solicitadas a revisar políticas para reduzir mortes de tubarões brancos e evitar extinção local.
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