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Estudo mostra que tubarão de 400 anos pode enxergar

Estudo mostra que o tubarão-da Groenlândia mantém visão funcional com mais de cem anos, sugerindo mecanismos de reparo de DNA ligados à longevidade

Fotografia do tubarão-da-Groenlândia vive nas profundezas escuras do oceano.
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  • O tubarão-da Groenlândia pode viver até 400 anos e tem olhos ainda funcionais após décadas, segundo estudo publicado na Nature Communications.
  • Pesquisadores analisaram olhos de exemplares capturados entre 2020 e 2024 ao largo da Groenlândia, com idades estimadas acima de cem anos.
  • Não foram observados sinais claros de degeneração da retina, e a rodopsina permaneceu ativa, ajustada para detectar luz azul que penetra bem na água profunda.
  • O estudo sugere que mecanismos de reparo do DNA podem manter tecidos sensíveis à luz estáveis por longos períodos, contribuindo para a longevidade ocular.
  • Em 2024, também foi reportado o sequenciamento do genoma da espécie, com cerca de 6,5 bilhões de pares de bases e 81 genes exclusivos ligados ao reparo do DNA, incluindo o gene TP53.

O tubarão-da-groenlândia, gigante das águas frias do Atlântico Norte e Ártico, pode manter a visão mesmo após décadas de vida. Novo estudo publicado na Nature Communications desmonta a ideia de cegueira dessa espécie centenária.

A pesquisa, liderada por Dorota Skowronska-Krawczyk, da Universidade da Califórnia em Irvine, analisou olhos de tubarões capturados entre 2020 e 2024 perto da Groenlândia, próximo à Estação Ártica da Universidade de Copenhague. Muitos animais já tinham mais de 100 anos.

Os resultados mostram olhos funcionais sem sinais claros de degeneração retinal. A rodopsina, proteína da visão em baixa luminosidade, permanece ativa e ajustada para luz azul, comum em ambientes profundos e turvos.

Um novo olhar sobre a visão

O achado contradiz a ideia de que esses tubarões enxergam pouco ou quase não enxergam. Em humanos, a visão costuma deteriorar com a idade; no tubarão, a retina parece resiliente mesmo em idade avançada.

Os autores destacam que a luz azul penetra melhor em águas frias e escuras, o que pode orientar adaptações visuais ao ambiente. A pesquisa reforça o interesse em entender mecanismos de manutenção ocular ao longo de longos períodos.

Genoma único e longevidade

Em paralelo, um consórcio internacional publicou, em 2024, o sequenciamento completo do genoma da espécie. O tamanho é de cerca de 6,5 bilhões de pares de bases, o maior entre tubarões e quase o dobro do genoma humano.

A comparação com outras espécies revelou 81 genes exclusivos, muitos ligados ao reparo de DNA. A hipótese é que esses genes ajudam a mitigar mutações e danos genéticos, contribuindo para a longevidade extrema.

Ainda segundo o estudo, o gene TP53, ligado à supressão de tumores, também está presente no tubarão, similar ao que ocorre em animais como o elefante. Esses elementos genéticos podem atuar em conjunto para manter tecidos, como a retina, estáveis ao longo de séculos.

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