- Pesquisadores mostraram que tubarões-do-gelo podem enxergar, mesmo vivendo mais de século, com visão mantida por mais de cento e cinquenta anos.
- Os tubarões-do-gelo são os vertebrados de maior longevidade, com mais de quatro séculos de vida, geralmente em águas frias do ártico e do oceano Atlântico Norte, entre trechos de 200 a 1.000 metros de profundidade.
- Ao analisar o genoma, os cientistas encontraram genes de visão intactos e funcionais nos tubarões estudados.
- Lâminas de olho em cortes mostraram que a estrutura ocular permanece bem preservada, compatível com um animal que vive em ambiente muito escuro.
- Em comparação, os tubarões estudados tinham entre 100 e 150 anos; os pesquisadores pretendem testar exemplares mais velhos para verificar se a visão persiste ao longo de séculos.
Greenland sharks, conhecidos por viverem mais de 400 anos, teriam sido considerados quase cegos. Nova pesquisa, porém, aponta que esses peixes conseguem enxergar e manter a visão por mais de um século.
O estudo envolveu a pesquisadora Lily Fogg, da Universidade de Basel, e o veterano biólogo John Fleng Steffensen, responsável pela descoberta inicial da longetividade da espécie. Amostras de olhos e material genético de 10 indivíduos foram analisados para avaliar função visual.
As análises mostraram que os genes relacionados à visão seguem íntegros e ativos. Além disso, cortes de olho revelaram tecido ocular bem preservado, compatível com espécies que vivem em ambientes com pouca luz. Greenland sharks exibem apenas bastonetes, sem cones, o que reduz a capacidade de visão em ambientes claros.
Visão adaptada a ambientes sombrios
Segundo os pesquisadores, a visão não é nítida, mas suficiente para detectar estruturas em áreas de pouca iluminação. A hipótese é que a visão auxilia na localização de presas, que passam a ser exploradas com outros sentidos.
Os animais estudados tinham entre 100 e 150 anos, ainda jovens para a espécie, e a equipe pretende investigar se sharks mais velhos mantêm a capacidade visual por séculos adicionais. A preservação da visão pode estar ligada a um robusto sistema de reparo do DNA, com possíveis implicações para pesquisas biomédicas.
A pesquisa reforça a ideia de que longevidade extrema não implica perda sensorial inevitável. O resultado abre novas perguntas sobre como a visão se adapta a habitats frios e de iluminação reduzida no norte do planeta.
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