- Tony Cholerton, ex-zelador do London Zoo, criou o Robovacc para vacinar a tigresa Cinta sem a presença de pessoas, controlando a máquina de uma sala vizinha.
- A versão Autovacc pode vacinar até vinte badgers sem intervenção humana, com cada animal detido por um a dois minutos.
- O sistema usa um túnel de acrílico, isca alimentar e sensores para detectar a área da vítima, com portas que se abrem conforme o animal já recebeu a vacina.
- Após a vacinação, nanopartículas são liberadas para aderir ao pelo, acionando sensores na próxima passagem para evitar vacinas repetidas.
- A ideia é colaborar com cientistas, organizações de conservação e agricultores para mostrar a eficácia da vacinação de animais silvestres, embora haja avaliações de que não haja prova de impacto mensurável na TB bovina.
O inventor Tony Cholerton desenvolveu a Robovacc, uma máquina capaz de aplicar vacinas rapidamente sem a presença de pessoas. O projeto nasceu para proteger Cinta, a tigresa do zoológico de Londres, que era tímida demais para aceitar a vacinação durante a presença de tratadores.
Cholerton, ex-zootecista que trabalhou 30 anos no London Zoo, acoplou o dispositivo a um console na sala ao lado, usando um controle similar ao de aviões de brinquedo. O equipamento aplicou a vacina na tigela traseira de Cinta, que continuou comendo quase sem sentir o estímulo.
O sucesso inicial levou o criador a sonhar com uma versão totalmente automatizada para enfrentar desafios de conservação. Ele acredita que o Autovacc pode ser útil no combate à tuberculose bovina associada ao comportamento de mutos e outras espécies.
A ideia é permitir vacinação de grupos de animais sem intervenção direta de humanos, reduzindo o estresse e a necessidade de contenção. Vets do London Zoo já testaram versões da máquina em outros felinos e em macacos, obtendo bons resultados com espécies que toleram bem o procedimento.
Avanços e aplicação para bovídeos
O projeto prevê que a máquina possa vacinar uma colônia de até 20 animais, com cada um detido por um curto período. O sistema usa três sensores para detectar a área muscular e evitar injúrias, além de mecanismos de segurança para impedir falhas.
O protótipo, ainda em desenvolvimento, já foi testado em animais de outras espécies que são curiosos ou ambíguos com relação a humanos, como o coati de cauda ringeada, que, assim como os tubídeos, entra em túneis para alimentação. A ideia é aperfeiçoar o funcionamento em fauna diversa.
Cholerton descreve a visão de longo prazo como uma colaboração entre cientistas, ONGs de conservação e agricultores. Ele afirma que a solução pode oferecer meios para demonstrar a eficácia da vacinação de espécies selvagens sem recorrer à captura ou ao estresse, contribuindo para manejo de doenças zoonóticas.
Rosie Wood, presidente da Badger Trust, ressalta que a vacinação de animais silvestres pode reduzir o estresse, mas reconhece que ainda é incerto o impacto direto na tuberculose bovina. Ela aponta que medidas de controle devem seguir evidências científicas e políticas públicas compatíveis.
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