- Bacolod, nas Filipinas, sediou Terra Madre Asia & Pacific, reunindo mais de 2.000 delegados de 20 países para discutir sementes, solo, cultura e sustentabilidade alimentar.
- Slow Food designou Bacolod como Centro de Gastronomia Sustentável da região e Negros Occidental como a Capital Orgânica das Filipinas, visando fortalecer redes regionais de agroecologia.
- Programa educacional com 18 oficinas práticas envolveu agricultores, chefs e comunidades indígenas, incluindo escolas locais e atividades no Foodways Area.
- O evento destacou a importância da agroecologia como solução integrada para conservar biodiversidade, proteger ecossistemas e melhorar a segurança alimentar, com foco em comunidades e saberes locais.
- Debates sobre organismos geneticamente modificados (GMOs) surgiram, com oposição a trials de milho e arroz GM em Negros por falta de consulta adequada e riscos a agricultores e solo.
Bacolod, Filipinas – De 19 a 23 de novembro, a cidade sediou Terra Madre Asia & Pacific, marco da primeira convergência Asia-Pacífico do movimento Slow Food. Mais de 2 mil delegados de 20 países participaram para debater sementes, solo, cultura e sobrevivência, reunindo agricultores, chefs, pesquisadores e líderes indígenas. O encontro ocorreu em Bacolod, na诺 Negros Occidentales.
O objetivo foi fortalecer redes regionais em agroecologia, abordagem que combina ecologia, saber tradicional e ação social. A Slow Food designou Bacolod como Centro de Gastronomia Sustentável da região, e Negros Ocidentales como a Capital Orgânica das Filipinas, compromissos estratégicos não meramente simbólicos.
Hub para comida boa, limpa e justa
Os organizadores destacaram a criação de um espaço para intercâmbio entre produtores, cozinheiros, comunidades indígenas, pesquisadores e decisores, com foco em soluções locais que desafiem a agricultura industrial. O hub deve apoiar encontros regulares e ampliar iniciativas agroecológicas na região.
Paolo di Croce, diretor-geral da Slow Food, ressaltou que a diversidade de participação reflete a visão de que a alimentação é expressão cultural e ação política, com gastronomia como motor de proteção à biodiversidade. Afirmou que a região possui biodiversidade alimentar extraordinária.
Aprendizado por meio de cultura, biodiversidade e prática
O programa educativo contou com 18 oficinas práticas, lideradas por agricultores, cozinheiros e guardiões de saber indígena. Mais de 15 escolas locais levaram estudantes ao evento, aproximando jovens de tradições alimentares conectadas à biodiversidade.
Na Área Foodways, famílias aprenderam a moer temperos, preparar pratos cozidos em bambu, fazer miso, cozinhar taro e criar lanches com arroz indígena. Mesas de degustação esgotaram rapidamente, com debates públicos sobre saúde, preservação de sementes e políticas alimentares.
Agroecologia como solução integrada
A agroecologia foi enfatizada como base para restaurar ecossistemas, promover equidade social e fortalecer a segurança alimentar. No debate sobre soluções baseadas na natureza, participantes apresentaram iniciativas de comunidades indígenas e projetos de agroflorestas, adubação com plantas nativas e conservação de sementes.
Entre os exemplos, destacou-se o trabalho de comunidades Tagbanua em áreas costeiras, que combinam cultivo de raízes com proteção de ecossistemas costeiros. Essas ações ajudam a sustentar a pesca durante tempestades e a estabilizar o solo contra erosão.
Desafios climáticos e retorno regional
A abertura ocorreu após dois tufões que atingiram parte de Negros, impactando agricultores e pescadores. Organizadores ressaltaram a importância de manter a continuidade das atividades para sustentar economias locais em recuperação.
Para líderes locais, a ideia é avançar da sustentabilidade para regeneração, com solos orgânicos que retêm mais água e nutrientes, aumentando a resiliência a eventos climáticos extremos. A produção diversificada aparece como vantagem frente a monoculturas.
Vozes indígenas e comunidades da região
Além das Filipinas, o encontro destacou sistemas alimentares locais da região. Líderes de comunidades de Kalimantan, Bali e norte da Tailândia apresentaram práticas de manejo de florestas, cultivo de sementes de arroz tradicionais e agrofloresta para café, conectando conservação, soberania alimentar e identidade cultural.
Apoio à biodiversidade e respeito às tradições foram temas recorrentes, com debates sobre o papel da agroecologia na proteção de culturas alimentares frente à pressão de mercados globais. A abordagem privilegia soluções que envolvem comunidades e ecossistemas.
Olhar para o futuro
Ao encerrar, organizadores ressaltaram que o objetivo foi fortalecer vínculos a longo prazo entre comunidades alimentares, com reconvenções a cada dois anos. A Slow Food pretende manter a presença permanente em Bacolod, incentivando intercâmbios contínuos entre região e mundo.
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