- Estudo de mapeamento costa a costa em Tailândia mostra que os recifes de coral estão perdendo complexidade estrutural, com ecossistemas mais simples e domínio de Porites.
- Foram observados 99 recifes costeiros e 16 pilares offshore, em 17 quilômetros de recife, entre setembro de 2022 e abril de 2024, em profundidades de 4 a 20 metros.
- Mesmo antes dos efeitos completos de 2024, muitos recifes já estavam menos diversos e com menos formas de coral de alta complexidade. A 2024 pode ter agravado esse cenário.
- A cobertura de coral foi, em média, de 54% no Golfo da Tailândia e de 35% no Mar de Andamão, sugerindo variações regionais possivelmente relacionadas a pressões humanas ou capacidades de adaptação.
- As recomendações incluem manter alta diversidade de espécies, expandir áreas protegidas, monitoramento de longo prazo e estratégias de restauração baseadas em evidências, com foco na reprodução sexual de corais e na conectividade com manguezais e áreas de gramíneas marinhas.
O recorte costeiro de recifes na Tailândia revela perda de complexidade estrutural. Pesquisadores identificaram um quadro já esperado: recifes estão se tornando menos complexos, com menos nichos para peixes e outras espécies. O estudo envolve monitoramento recente em diversas áreas.
A pesquisa, baseada em levantamentos subaquáticos entre 2022 e início de 2024, abrange recifes de franja e pínadas offshore em oito províncias banhadas pelo Golfo da Tailândia e pelo Mar de Andamão. O impacto do evento de branqueamento de 2024 ainda não foi quantificado.
Segundo os autores, o novo mapa servirá como linha de base para orientar ações de conservação, gestão e políticas públicas. A avaliação integrada substitui registros locais esparsos de longo prazo por uma visão continental da condição dos recifes.
Panorama da biodiversidade e mudanças
A equipe avaliou 99 recifes próximos à costa e 16 pínadas offshore, entre 2022 e 2024, cobrindo 17 quilômetros de recife. Dados de cobertura de corais e dos gêneros presentes foram cruzados com séries históricas para detectar mudanças.
Antes do branqueamento de 2024, muitas áreas já exibiam ecossistemas menos complexos, dominados por espécies com menor estrutura. Corais formadores de galhos, especialmente Acropora, apareceram com menor frequência.
A dominância de Porites, recifes de alvenaria que oferecem menos nichos, aumentou em ambos os lados do país. A tendência aponta para uma homogenização que reduz a diversidade de habitats e a resiliência às perturbações.
A simplificação de comunidades corais implica menor variedade de habitats para peixes e invertebrados. Pesquisadores destacam que a perda de espécies pode afetar a cadeia alimentar e a estabilidade do recife diante de novas ameaças.
Gestão, conectividade e restauração
Especialistas sugerem intervenções de manejo em áreas com recifes muito homogêneos, para reduzir vulnerabilidade a doenças e choques ambientais. Estudos locais indicam doenças em Porites, como pragas e síndromes associadas.
A diversidade de espécies é apontada como chave para reduzir risco de colapso. Medidas passam por reduzir impactos da pesca, turismo e poluição, ampliar áreas protegidas e ampliar monitoramento de longo prazo.
A conectividade com manguezais e pradarias de ervas marinhas é citada como fator que facilita a recuperação dos recifes. Preservar esses ecossistemas vizinhos aumenta a resiliência diante de eventos futuros.
Dados de cobertura e direções para o futuro
Os recifes do Golfo da Tailândia apresentaram maior cobertura de coral, em média 54%, frente a 35% no Mar de Andamão. Pesquisas futuras devem investigar essa diferença, que pode ter relação com pressões humanas e condições locais.
Os recifes mais rasos mostraram maior cobertura, com média de 52% aos 5 metros de profundidade. Em 20 metros, a cobertura caiu para 29%. Isso sugere que estratégias de restauração precisam priorizar áreas rasas.
O estudo também aponta que muitos recifes artificiais na Tailândia estão posicionados em profundidades maiores que 10 metros, o que levanta questões sobre a eficácia de tais estruturas para suportar futuras pressões ambientais.
Olhar para o futuro
Com a linha de base criada, a equipe planeja aprofundar pesquisas sobre manejo de recifes artificiais e estratégias de restauração baseadas em evidências. A reprodução sexual de corais é estudada como forma de aumentar diversidade genética.
Pesquisadores enfatizam que as práticas de restauração devem evoluir com o avanço do conhecimento científico. A dispersão de corais e a sobrevivência de juvenis no Golfo da Tailândia estão entre os focos.
A partir dos novos dados, o próximo passo é antever o que vem pela frente e como se preparar para novos branqueamentos. O objetivo é manter a maior diversidade possível e reduzir riscos de colapso nos ecossistemas recifais.
Entre na conversa da comunidade