- O governo de Queensland informou que já matou seis dos dez dingos vistos perto do corpo da turista canadense Piper James, na ilha de K’gari.
- Especialistas em dingos dizem que eliminar um grupo de dez animais ligados à morte pode levar a extinção da população da ilha e não reduz o risco para pessoas.
- Os atuais proprietários tradicionais da ilha dizem não ter sido consultados sobre a eutanásia dos animais.
- A autópsia preliminar, segundo uma autoridade, aponta evidências físicas de afogamento e mordidas de dingo; a causa exata ainda não foi confirmada.
- A população de dingos em K’gari é pequena (entre setenta e duzentos indivíduos) e geneticamente estreita; especialistas alertam que o abatimento de membros pode piorar problemas de desempenho reprodutivo e ampliar conflitos com humanos.
O governo de Queensland informou neste fim de semana que já matou seis dos dez dingos vistos próximos ao corpo da turista canadense Piper James, de 19 anos, em K’gari. A decisão ocorre após a morte da visitante e envolve o que autoridades descrevem como comportamento agressivo do grupo de dingos na ilha.
James desapareceu em 19 de janeiro durante um mergulho solo. Seu corpo foi encontrado perto de um naufrágio, cercado pelo restolho de dingos. A investigação oficial ainda apura as causas da morte, mas uma avaliação preliminar aponta indícios de afogamento com ferimentos por mordidas de dingo.
A família de James manifestou descontentamento com a medida de abater o bando. A mãe, Angela, afirmou à imprensa que Piper não aprovaria ações contra os animais, enquanto o pai, Todd, comentou que a morte seria aceitável apenas para a segurança da ilha, não em função do erro que levou Piper à situação.
A comunidade científica tem revisado o impacto de reduzir drasticamente uma população de dingos já de por si pouco diversa geneticamente. Especialista em genética de dingos, a Dra. Kylie Cairns, alerta para o risco de extinção por vortex genético caso ocorra nova remoção de indivíduos.
Estimativas apontam que K’gari abriga entre 70 e 200 dingos, com histórico de baixa variabilidade genética e alto grau de endogamia. Perda de mais indivíduos pode afetar ainda mais a viabilidade da população, reduzindo a resistência a doenças e aumentando chances de problemas reprodutivos.
Críticos da medida destacam que abater o bando pode deslocar outros grupos pela ilha, não resolvendo questões de segurança pública. Pesquisador de relações entre dingos e humanos adverte que a gestão não deve centrarse apenas na fauna, mas no comportamento humano.
O ministro do Meio Ambiente e do Turismo de Queensland, Andrew Powell, reiterou que a decisão foi respaldada por especialistas da equipe de parques e considerado adequado para a segurança pública. Autoridades ainda trabalham para entender se houve mudança no comportamento agressivo dos dingos desde o ocorrido.
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