- O uso de antibióticos na produção de carne nos EUA subiu 16% em 2024, a maior alta desde que o governo começou a acompanhar os dados.
- A mudança envolve antibióticos de uso humano, incluindo medicamentos amplamente usados, como o Z‑Pak, elevando preocupações sobre resistência.
- O uso em frango e peru subiu quase 80% e 25%, respectivamente, mas ainda está bem abaixo dos picos de 2015; boi e porco tiveram alta de cerca de 16%.
- Especialistas ressaltam que aumentos em bovinos e suínos são mais preocupantes porque respondem por cerca de 85% de todos os antibióticos usados na produção de carne.
- Consumidores podem optar por carne orgânica; a rotulagem “antibiotic-free” não tem definição legal rígida e o uso de antibióticos pode ocorrer se o animal adoecer.
A produção de proteína animal nos EUA registrou um aumento de 16% no uso de antibióticos em 2024, o maior salto observado desde o início do acompanhamento governamental. Os dados abrangem antibióticos considerados de importância médica para humanos, usados também na medicina humana, incluindo fármacos comuns como o uso associado ao Z-Pak.
O crescimento preocupa especialistas por potencial aumento de bactérias resistentes a medicamentos, chamados de “superbugs”. Esses patógenos já provocam doenças graves em milhões de pessoas anualmente e podem apresentar riscos adicionais à saúde.
Segundo o levantamento, o uso de antibióticos em frango e peru subiu quase 80% e 25%, respectivamente, porém em taxas ainda bem inferiores aos picos de 2015. Já para o boi e o porco, o uso caiu na virada da década, mas subiu cerca de 16% em 2024.
Os aumentos em bovinos e suínos são vistos como mais preocupantes, já que esses animais representam cerca de 85% do total de antibióticos empregados na produção de carne dos EUA. A indústria, porém, mantém que os remédios são usados para prevenir doenças e, em alguns casos, para promover o crescimento.
Especialistas enfatizam que muitas granjas industriais reduzem antibióticos por economia, e que a prática de promover o crescimento por meio de fármacos persiste em alguns contextos. A falta de fiscalização consistente é apontada como entrave para mudanças mais rápidas.
Apesar de menos gado e peru em 2024 em comparação com 2023, a produção de porcos e frangos cresceu pouco, o que não impede o aumento do consumo de antibióticos. O relatório é o mais recente disponível, referente ao último ano da gestão Biden.
Dados de 2024 chegam em um momento em que autoridades discutem políticas para reduzir o uso de antibióticos na cadeia de proteína animal. A FDA, responsável pela regulação, tem enfrentado críticas sobre a efetividade das medidas anteriores.
As consequências de longo prazo incluem mais infecções por bactérias resistentes e maior mortalidade associada. Em 2024, o país registrou mais de 2,8 milhões de infecções resistentes e cerca de 35 mil óbitos, segundo estimativas oficiais.
Pesquisadores e organizações independentes destacam a necessidade de maior transparência e de práticas de bem-estar animal para reduzir a dependência de antibióticos. Estudos recentes sugerem que resíduos mesmo em baixas doses podem afetar a microbiota humana.
Para o consumidor, orientações incluem preferir carnes com certificação orgânica, que restringe o uso de antibióticos, ou verificar índices de qualidade que indiquem manejo responsável. Especialistas ressaltam que não há definição legal única para “carne sem antibióticos” em rótulos.
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