- 63% do território brasileiro apresenta algum grau de seca, com maior incidência no Sudeste e no Centro-Oeste.
- A escassez hídrica é uma crise estrutural, causada pela mudança climática e por pressões humanas, não apenas pela falta de chuvas.
- Projeções indicam que bacias estratégicas podem perder até 40% da disponibilidade de água até 2040, afetando agropecuária e abastecimento urbano.
- O agronegócio é o maior consumo de água: a soja demanda volume anual equivalente a sete barragens de Itaipu; a pecuária consome mais de 10 bilhões de metros cúbicos por ano.
- Desmatamento no Cerrado e nas bordas da Amazônia reduz chuvas, fraca recarga de aquíferos e exige gestão integrada das águas e políticas públicas robustas.
O Brasil concentra grande parte dos recursos hídricos globais, com a Bacia Amazônica abrigando uma das maiores reservas superficiais do mundo. Porém, a percepção de abundância não acompanha mais a realidade. A escassez de água já é um desafio estrutural.
Dados do sistema MapBiomas Água apontam que cerca de 63% do território nacional apresenta algum nível de seca, com maior incidência no Sudeste e no Centro-Oeste. O quadro não é apenas de pouca chuva, mas de desequilíbrio hidrológico persistente.
A crise decorre de mudanças climáticas combinadas a pressões humanas, como manejo inadequado na agricultura e desmatamento. Projeções da ANA indicam que bacias estratégicas podem perder até 40% de disponibilidade hídrica até 2040.
Causas e impactos
O desmatamento e a alteração do uso do solo, especialmente no Cerrado e nas bordas da Amazônia, reduzem a retenção de umidade e a recarga de aquíferos. A exploração excessiva de águas subterrâneas agrava o problema, com poços irregulares.
O setor agropecuário é o maior consumidor de água no país. A soja utiliza anualmente volume equivalente a sete barragens de Itaipu, enquanto a pecuária consome mais de 10 bilhões de m³ por ano.
Desafios regionais e setoriais
O Semiárido nordestino sofre com precipitações abaixo do crítico, promovendo desertificação em áreas da Bahia. Na Amazônia, o desmatamento reduz chuvas no Leste e no Sul, impactando rios voadores.
A água é central para a transição ecológica. É preciso implementar um Plano Água robusto, com recuperação de nascentes, eficiência tecnológica e educação ambiental.
Caminhos para a gestão eficiente
A gestão hídrica requer integração entre políticas públicas, infraestrutura e inovação. Modernizar redes de abastecimento, adotar práticas agrícolas eficientes e fortalecer a gestão de águas subterrâneas são passos fundamentais.
A governança das bacias hidrográficas precisa de cooperação entre governos, setor privado e sociedade. Mudanças culturais ajudam a reduzir desperdícios e ampliar a proteção dos recursos.
Publicado na edição n° 1399 de CartaCapital, em 11 de fevereiro de 2026.
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