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Médico do NHS excluído por circuncisão mal feita ainda opera

Médico desligado continua a realizar circuncisões como leigo, destacando falha de salvaguarda infantil e ausência de regulação da prática

Zuber Bux was struck off by the GMC after a toddler he had operated on in the community was taken to hospital ‘in a potentially life threatening situation’. Photograph: Ben Lack Photography
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  • O médico Zuber Bux, desligado pelo Conselho de Médicos por uma circumcisão considerada “reckless” que colocou um bebê de 15 meses em risco de morte, continua a realizar o procedimento como leigo.
  • A decisão do Conselho, em 2021, apontou conduta inadequada grave e disse que a punição adequada era a exclusão do registro profissional.
  • Apesar disso, Bux mantém anúncios como “circumcision practitioner” e oferece serviços no noroeste da Inglaterra, onde não há exigência de formação médica para realizar circuncisões.
  • Casos anteriores de médicos desligados que continuaram a circumcisar, como Mohammad Siddiqui, também geram preocupação sobre a regulação da prática; Siddiqui foi condenado a mais de cinco anos de prisão por falhas entre 2014 e 2019.
  • Entidades defensoras ressaltam que a circuncisão ritual é desnecessária do ponto de vista médico, pode ser perigosa e envolve direitos da criança; há discussões em curso sobre classificar a prática como possível abuso infantil.

Zuber Bux, médico previamente registado, foi excluído do conselho profissional após uma circumcisão considerada de alto risco. Ainda assim, ele atua como praticante leigo na área, oferecendo o procedimento em residência particular.

Dados obtidos pelo National Secular Society via FOI mostram que Bux é um dos três ex-médicos com licença cassada pela clínica reguladora entre 2012 e 2022, por queixas sobre circumcisões mal executadas.

Em 2021, o General Medical Council manteve uma queixa de má conduta grave envolvendo a circumcisão de um bebê de 15 meses, realizado por Bux em ambiente comunitário, apesar de uma condição cardíaca conhecida. O caso levou à internação do paciente.

A decisão do GMC destacou que o caso era grave e envolvia uma criança vulnerável, com uma atuação considerada cavalheira por parte do médico, levando à hospitalização em situação potencialmente fatal. A punição foi a remoção do registro médico.

Apesar da sanção, Bux continua anunciando serviços como circuncidade em seu site, sob a rubrica de circuncisão prática. Não há exigência de formação médica para circuncisadores no país, o que explica a continuidade do serviço.

Casos históricos semelhantes também revelam prática continuada após cassação. Em 2015, Mohammad Siddiqui teve a licença suspensa e, posteriormente, recebeu condenação por causar dor e sofrimento em circuncisões entre 2014 e 2019. Em 2020-2025, discussões judiciais e regulatórias se intensificaram sobre a ausência de regulamentação da prática.

Na semana passada, a Guardian revelou que o Crown Prosecution Service analisa orientações para classificar circuncisão como possível abuso infantil, diante de preocupações sobre a regulação do procedimento. Desde 2001, houve registros de mortes associadas a esse tipo de prática.

No site de Bux, há atendimentos voltados a bebês até seis meses, em cidades do noroeste da Inglaterra, incluindo Blackburn, Preston, Bolton, Burnley, Accrington e Nelson. O portal diz que ele atua desde 2003 e que já foi sócio sênior de uma clínica geral; não esclarece por que não está mais registrado pelo GMC.

Especialistas de direitos humanos destacam riscos à proteção infantil quando a circuncisão ocorre fora de ambientes médicos. Alejandro Sanchez, da NSS, ressalta a necessidade de que o procedimento seja realizado apenas por médicos e com necessidade médica comprovada, preferencialmente quando a criança puder decidir no futuro.

O NSS informa que o tema envolve salvaguarda infantil, segurança médica e direitos religiosos, com atuação de terceiros sem supervisão profissional. A advogada informou que Bux não respondeu aos pedidos de comentário.

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