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Revisão do rastreamento do colo do útero para alcançar mais mulheres em risco

Incorporação do teste de DNA do HPV ao SUS amplia detecção precoce, mas depende de organização do cuidado e busca ativa para alcançar mulheres em vulnerabilidade

Médico ginecologista liga trompas de Falópio em exemplo de representação do sistema reprodutor feminino.
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  • O Brasil precisa rever o modelo de rastreamento do câncer de colo do útero para alcançar mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
  • O teste de DNA do HPV, aprovado em 2023, passa a fazer parte do SUS a partir de 2024, com maior sensibilidade e possibilidade de autocoleta.
  • Pilotos em capitais, como Recife, deram início à implementação gradual, com expansão prevista para todos os estados até 2026.
  • A vacinação contra HPV continua como base da prevenção desde 2014, mas o rastreamento segue essencial para gerações já expostas ao vírus.
  • Cerca de sessenta por cento dos diagnósticos ocorrem em estágio localmente avançado, evidenciando desigualdades no acesso ao cuidado e à prevenção.

O Brasil avalia rever o modelo de rastreamento do câncer de colo do útero para alcançar mais mulheres em situação de alto risco. O foco é ampliar a cobertura entre quem enfrenta barreiras para acessar serviços de saúde, reduzindo mortalidade.

O atraso histórico não se deve à falta de recursos, e sim às falhas na organização do cuidado, na comunicação com a população e na capacidade de atingir as mulheres mais vulneráveis. O objetivo é transformar prevenção em prática efetiva.

O governo aprovou, em 2023, a incorporação do teste de DNA do HPV ao SUS, diferente do Papanicolau, que detecta mudanças celulares já instaladas. O HPV de alto risco pode ser identificado antes de lesões, permitindo estratificação de risco e acompanhamento mais intensivo.

Após pilotos em capitais como Recife, a implementação gradual começou em 2024, com expansão prevista a todos os estados até 2026. A tecnologia é mais sensível, pode reduzir o intervalo entre exames quando o resultado é negativo e permite autocoleta, ampliando o alcance em regiões historicamente desassistidas.

A base da prevenção continua a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente desde 2014. A vacina é segura, eficaz e pode prevenir grande parte dos tumores associados ao vírus quando aplicada antes do início da vida sexual. Contudo, não elimina o risco para gerações já expostas ao HPV.

Para as mulheres já expostas, o rastreamento continua sendo decisivo. A substituição tecnológica, por si, não garante impacto populacional sem organização do cuidado, busca ativa e integração de dados e comunicação clara sobre a importância do exame.

Desigualdades persistentes

Cerca de 60% dos diagnósticos ocorrem em estágios avançados, dificultando tratamento eficaz. Mulheres que nunca foram rastreadas concentram a mortalidade, evidenciando desigualdades no acesso ao cuidado ao longo da vida.

Eliminar o câncer de colo do útero é possível e depende da organização do sistema de saúde. A prioridade é levar vacinação e rastreamento a quem historicamente ficou à margem do sistema, integrando informações e fortalecendo a oferta com ações ativas.

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