- Pesquisadores usaram sugestões sonoras para induzir sonhos relacionados a quebra‑cabeças em 20 participantes com experiência em sonhos lúcidos.
- Durante o experimento, cada quebra‑cabeça tinha uma trilha musical associada; ao dormir, algumas pessoas sonharam com o desafio correspondente.
- Doze participantes tiveram sonhos mais frequentes ligados aos quebra‑cabeças apresentados, facilitando as soluções para eles ao acordar.
- Em média, quem sonhou com o problema tinha 42% de chance de encontrar a solução pela manhã, frente a 17% daqueles que não sonharam com nada relevante.
- O estudo, publicado em 5 dia no periódico Neuroscience of Consciousness, sugere que sonhos podem ser influenciados por sugestões externas, embora não garanta, por si só, melhora consistente na resolução de desafios.
O estudo mostra que sugestões sonoras podem influenciar sonhos e, por consequência, a capacidade de resolver problemas apresentados durante a madrugada. Pesquisadores da Northwestern University, nos EUA, expuseram 20 participantes a trilhas musicais associadas a quebra-cabeças no período da noite. Ao acordarem, parte dos voluntários relatou maior facilidade para encontrar soluções.
Os experimentos associaram cada desafio a uma música específica. Antes de dormir, os participantes passaram por exames de sono em ambiente de laboratório, com polissonografia para registrar sinais fisiológicos. Durante o sono, as trilhas sonoras foram reaplicadas, especialmente em fases de sono mais profundo e REM.
Metodologia e resultados
Ao acordarem, 12 dos 20 participantes mostraram sonhos que repetiam de forma mais frequente o quebra-cabeça ligado à trilha sonora correspondente. Esses sonhadores apresentaram, na manhã seguinte, maior probabilidade de solução do desafio, em comparação com quem não teve esse vínculo onírico. A taxa de sucesso foi de 42% versus 17% respectivamente.
Os testes ocorreram com duração de três minutos por desafio, em sequência, no início da noite. Os temas incluíram reorganizar palitos para formar desenhos e decodificar símbolos que representavam frases. Em alguns casos, a lembrança do sonho ajudou a orientar o raciocínio.
Segundo uma das pesquisadoras, a experiência não-lúcida também pode ter sido suficiente para facilitar a solução. Ela cita relatos de participantes que, mesmo acordando sem lucidez, buscaram ajuda de personagens sonhados e de contextos de sonho para resolver o quebra‑cabeça. O estudo é publicado no periódico Neuroscience of Consciousness.
Considerações e próximas etapas
Os autores ressaltam que, embora haja influência das sugestões sonoras nos sonhos, não é possível confirmar, ainda, que sonhar com um problema aumente consistentemente as chances de resolução. A relação pode envolver curiosidade, memória ou outros fatores que atuam de forma conjunta durante o sono.
A pesquisa envolve 20 voluntários com histórico de sonhos lúcidos e utiliza a técnica de reativação direcionada de memórias para testar a ligação entre estímulos auditivos, sonhos e desempenho cognitivo. Os resultados apontam para uma influência significativa dos estímulos sonoros nos conteúdos oníricos, sem, contudo, afirmar causalidade definitiva.
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