- Pesquisadores em uma rede de cavernas no norte da Arábia Saudita encontraram sete cheetahs mumificados naturalmente e restos de 54 animais adicionais, preservados por até quatro mil anos.
- As descobertas ocorreram em 134 cavernas próximas a Arar, com uma caverna de acesso por dolina rendendo quarenta e um exemplares.
- CT scans mostraram cérebro ainda visível dentro do crânio e articulações intactas; a datação por radiocarbono situou os vestígios em até quatro mil anos.
- Análise de DNA completo em três espécimes revelou que mais de uma subespécie esteve presente na região; o indivíduo mais jovem é geneticamente próximo do cheetah asiático, enquanto outros se agrupam ao cheetah africano ocidental.
- A conclusão é que diferentes subespécies habitaram a Arábia, o que amplia opções para planos de rewilding e aumenta a diversidade genética disponível para reintrodução.
Pesquisadores descobriram uma rede de cavernas no norte da Arábia Saudita com sete cheetas naturalmente mumificados e os restos de 54 indivíduos adicionais, preservados por até 4 mil anos em câmaras subterrâneas áridas. A constatação pode influenciar planos de rewilding na península.
A descoberta, publicada na revista Communications Earth & Environment, ocorreu durante levantamento em 134 cavernas que somam cerca de 1.211 km², nas proximidades da cidade de Arar. Cinco cavernas continham vestígios de cheetah; uma única gruta com acesso por dolina rendeu 41 exemplares.
A preservação natural deveu-se ao microclima quente e seco das cavernas de calcário, que inibiu a decomposição bacteriana e manteve tecidos moles por séculos. CT scans mostraram cérebro encolhido, porém visível, e articulações preservadas conectando crânio, coluna e tórax.
A datação por radiocarbono indicou que os tecidos mais antigos têm cerca de 4 mil anos, enquanto um exemplar morreu aproximadamente 130 anos atrás, próximo de avistamentos de cheetahs na região nos anos 1970. A análise de radiografias de 20 crânios mostrou que a maioria era subadulta, entre 18 e 24 meses, com nove filhotes também recuperados.
A importância biológica ficou evidente na análise de DNA antigo. Sequências genômicas completas foram obtidas de três espécimes, a primeira vez feitas a partir de big cats naturalmente mumificados. O resultado revelou diversidade surpreendente entre indivíduos.
O mais jovem mostrou afinidade genética com o guepardo asiático, enquanto dois indivíduos mais velhos se agrupam com o guepardo do África Ocidental. O pesquisador principal, Ahmed Al Boug, destacou que mais de uma subespécie habitou a região, abrindo novas possibilidades para a coleta de material genético e estratégias de reposição de diversidade.
A descoberta sugere que o guepardo do Asiático, criticamente ameaçado, não foi a única subespécie presente na Arábia. A presença histórica de uma subespécie africana amplia o leque de candidatos para programas de reintrodução, desde que viáveis biologicamente e ecologicamente.
A Arábia Saudita já tem histórico de recuperação de espécies nativas, como o íbex-árabe e gazelas-dos-campos, o que reforça o interesse em avaliar potenciais estratégias de rewilding com base nesses achados. Especialistas apontam que o estudo oferece dados valiosos para a compreensão da biogeografia dos felinos na região.
Os pesquisadores ressaltam que, apesar do avanço, é necessário cautela para planejar ações de restauração de populações atuais. Além de questões genéticas, entram no debate fatores ambientais e sociais que influenciam o sucesso de reintroduções em zonas desérticas.
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