- Japão incorpora planejamento de desastre em edifícios e espaços públicos, buscando usos duais no dia a dia e em crises, segundo Miho Mazereeuw.
- Exemplos incluem escola em Tóquio com piscina no teto para água de descarga, reservatório de água da chuva e escadas externas que ajudam na evacuação durante inundações.
- Painéis solares no teto e claraboias em várias escolas reduzem custos operacionais e mantêm a energia durante quedas de energia.
- Mazereeuw chama esse conceito de “design antecipatório”, que integra infraestrutura útil ao cotidiano para ampliar a resiliência sem custo exorbitante.
- Em seu livro Design Before Disaster, a pesquisadora mostra como comunidades e governo podem negociar reformas, destacando parques públicos com áreas de preparo para emergências e uso dual, como áreas de churrasco que também armazenam água.
Miho Mazereeuw, professora do MIT, apresenta em seu novo livro como o Japão incorpora planejamento de disaster resilience em prédios e espaços públicos, criando uso dual para o cotidiano e emergências. A obra, Design Before Disaster: Japan’s Culture of Preparedness, analisa exemplos reais no país.
A pesquisadora, que coordena o Urban Risk Lab do MIT, defende o conceito de design antecipatório. Segundo ela, medidas proativas ajudam a sociedade a enfrentar eventos como enchentes, terremotos e tsunamis antes que ocorram. O livro reúne estudos de campo, entrevistas e ilustrações.
No texto, a autora descreve práticas que já operam no dia a dia. Em escolas de Tóquio, por exemplo, estruturas com piscina no telhado, reservatórios de água e escadas externas favorecem evacuação e uso sustentável da água durante crises. Telhado, pátios e luz natural aparecem como parte de soluções resilientes.
A obra também analisa parques públicos com funções de evacuação e de suporte à comunidade. Áreas com cozinhas ao ar livre, reservatórios de água e possibilidades de ampliação de sanitários demonstram o duplo uso entre lazer e preparação para desastres. Pequenos espaços ganham impacto em cidades.
A narrativa aborda ainda negociações entre governos locais e autoridades, como no caso de um muro de contenção em Kesennuma. O projeto integrou infraestrutura de proteção aos desastres a um novo distrito comercial, conciliando acesso ao mar, estética e segurança. A obra destaca o papel da participação comunitária.
Pesquisadores e autoridades citados pela autora ressaltam que estratégias de design não exigem custos elevados. O conceito valoriza ações colaborativas entre gestores, especialistas e moradores. O objetivo é criar uma cultura de resiliência que o país já pratica, mas que pode servir de modelo global.
Mazereeuw enfatiza que o aprendizado não é pauta de cópia. O livro busca ensinar a essência do modelo japonês para que outros locais adaptem práticas responsáveis. A autora defende uma gestão de emergência que envolve toda a sociedade, em vez de depender apenas de autoridades.
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