- Justin Claude Rakotoarisoa, guardião dos anfíbios de Madagascar, faleceu aos 45 anos, possivelmente por complicações ligadas à hipertensão.
- Ele atuava em Mitsinjo, organização comunitária que gerencia conservação e desenvolvimento na região de Andasibe, ligada à proteção de anfíbios endêmicos.
- Rakotoarisoa ajudou a estabelecer e gerenciar o centro de reprodução de anfíbios near Andasibe, conhecido como Toby Sahona, criado para manter populações em cativeiro como proteção adicional.
- Seu trabalho enfatizou a transferência de conhecimentos entre pesquisadores, guias locais e comunidades, incluindo a tradução de guias científicos para o fala local, aumentando o envolvimento comunitário na conservação.
- O legado dele destaca que a conservação pode depender de gente local, treinamento on the job e ações contínuas — até mesmo pequenas ações diárias, como manter culturas de moscas para alimentar os anfíbios, podem fazer a diferença.
Justin Claude Rakotoarisoa, guarda de anfíbios de Madagascar, morreu aos 45 anos, segundo a organização local Mitsinjo. A causa informada são complicações associadas à hipertensão. O falecimento ocorreu no país, em um contexto de forte pressão sobre a conservação ambiência.
Rakotoarisoa nasceu perto de Andasibe, região cuja mata abriga o indri e onde a ecoturismo surgiu como alternativa de sustento para evitar a derrubada da floresta. Ele foi guia e, no fim dos anos 1990, ingressou na Mitsinjo, ligada à gestão de uma estação florestal e ao repasse de renda turística para conservação.
A atuação dele ganhou projeção ao traduzir conhecimentos científicos para a população local e ao liderar a criação de um centro de conservação de anfíbios próximo a Andasibe, mais tarde chamado Toby Sahona. O objetivo era manter espécies ameaçadas sem depender da exportação.
O centro atua como “colônia de segurança” para espécies locais, permitindo criação em cativeiro para evitar extinções caso haja declínio na vida selvagem. Entre os esforços, está a proteção do sapo Golden mantella, cuja área de ocorrência é restrita.
Rakotoarisoa coordenou projetos de reprodução e monitoramento de 11 espécies de anfíbios, com base em observações de campo. O trabalho envolve manejo de alimentação, temperatura e umidade, bem como estudo de padrões reprodutivos para melhorar a sobrevivência.
Colaboradores descrevem o líder como alguém calmo, curioso e acessível, que compartilhava conhecimento com jovens conservacionistas. Ele facilitava a comunicação entre visitantes, moradores e pesquisadores, ajudando a explicar a importância da proteção de anfíbios locais.
O trabalho de Mitsinjo mostra que a conservação em Madagascar depende de ações locais, com centros de reprodução conectados ao território protegido. A organização foi criada por guias da região, mantendo a relação direta entre população e gestão do habitat.
As amphibians de Madagascar permanecem vulneráveis pela alta endêmia e pela pressão de desmatamento, áreas alagadas fragmentadas e tráfego de vida silvestre. Além disso, o fungo quítridio tem sido uma ameaça crescente em várias partes do mundo, incluindo a região.
Rakotoarisoa deixa um legado de integração entre ciência, prática de campo e engajamento comunitário. O trabalho dele evidencia que a conservação pode prosperar com investimentos locais, treinamento prático e parcerias com comunidades que vivem próximo aos habitats.
Rakotoarisoa manteve uma abordagem de trabalho diária, com campos de pesquisa, cultivo de insetos para alimentação dos animais e adaptação de recursos disponíveis. O desafio sempre foi manter a continuidade do programa para que a reprodução se tornasse rotina.
A história dele destaca a importância de capturar dados a longo prazo, especialmente sobre espécies de anfíbios únicas de Madagascar. O centro Toby Sahona continua na linha de continuidade do que ele ajudou a construir, mantendo viva a prática de conservação no território.
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