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Ricos vacinam menos os filhos no Brasil

Hesitação vacinal é maior entre as classes altas no Brasil, apesar da maior renda e educação, impactando a proteção coletiva

Imagem de uma criança tomando vacina no braço.
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  • Estudos mostram que a hesitação vacinal é mais frequente entre as classes sociais mais altas no Brasil.
  • Motivos apontados incluem o senso de controle sobre riscos, a ideia de personalizar cuidados de saúde e a crença de que estilos de vida mais naturais reduzem a necessidade de vacinas.
  • A pandemia ampliou a desconfiança institucional e virou instrumento político, influenciando a hesitação também entre classes mais baixas.
  • Três mitos comuns ajudam a sustentar a hesitação: vacinas contra sarampo causam autismo, o sucesso das vacinas reduz a percepção de risco de efeitos adversos e a imunidade natural é mais valorizada que a vacinação.
  • A vacinação de alta cobertura (em torno de noventa a noventa e cinco por cento) é necessária para a proteção coletiva; não se pode abandonar a vacinação por privilégios de acesso.

Foi identificado que a hesitação vacinal é mais comum entre as classes sociais mais altas no Brasil. Pesquisas apontam esse padrão ao analisar comportamentos de vacinação de adultos e de crianças. Especialistas destacam que o acesso à educação não elimina dúvidas sobre imunização.

O estudo conduzido pela socióloga Marcia Couto, professora da Faculdade de Medicina da USP, aponta características específicas dessas famílias: desejo de controlar riscos de saúde, personalização dos cuidados médicos e a ideia de que estilos de vida naturais substituem medidas sanitárias públicas.

Durante a pandemia, a recusa à vacinação ganhou viés político, ampliando a desconfiança institucional e afetando também parcelas da população com menor renda. O contexto de polarização influenciou decisões sobre imunização em diferentes grupos.

Contexto e fatores

A disseminação de desinformação na internet sustenta a hesitação. Entre os mitos mais citados estão a relação entre vacinas e autismo, desmentida há décadas, e o medo de efeitos adversos frente ao benefício da proteção coletiva.

Especialistas ressaltam que o sucesso das vacinas cria paradoxos: pessoas temem mais efeitos colaterais do que a doença; já a imunidade de rebanho requer alta cobertura de cerca de 90% a 95%. A decisão individual não basta para proteção social.

Desdobramentos

Elites com acesso facilitado a cuidados de saúde tendem a acreditar que não precisam se vacinar, mas a eficácia ocorre apenas com imunização ampla da população. A resistência pode comprometer campanhas e metas de saúde pública.

Fontes: estudos sobre vacinação infantil e interseções de raça, classe e gênero; inquérito de cobertura vacinal de 2020. Os trabalhos citados reforçam a importância da proteção coletiva e da confiança institucional.

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