- A pesca de fundo da costa oeste dos EUA está se recuperando: todos os 10 species relevantes voltaram a níveis saudáveis, com a reconquista anunciada em outubro de 2025; o stock mais famoso, o yelloweye, foi declarado reconstruído.
- Em Port Orford, Oregon, uma empresa local mostra o retorno da atividade: grandes quantidades de redbanded rockfish e lingcod são processadas para distribuição, algo impensável há duas décadas.
- O colapso começou há 26 anos, quando o governo declarou a indústria de “desastre” e reduziu quotas; em 2002 houve compra de pescadores para reduzir frotas, e o modelo de cota por porção substituiu o sistema antigo.
- Hoje, custos de monitoramento e gestão pressionam os pescadores, com pedidos para reduzir encargos, já que as exigências atuais incluem observadores ou videomonitoramento, além de taxas pagas a NOAA Fisheries.
- Inovações em gear e monitoramento — incluindo sensores, LEDs e redes sem fundo pesado — ajudam a proteger o habitat e facilitar a gestão sustentável, ainda que haja cautela sobre abrir demais as regras sem compromissos robustos com a conservação.
O caso dos pescados de fundo da Costa Oeste dos EUA ganhou um desfecho inesperado após décadas de crise. Em Port Orford, Oregon, trabalhadores processam grandes quantidades de peixes recuperados, demonstrando a virada de um setor que antes operava sob fortes limites.
A recuperação foi anunciada em outubro de 2025, quando autoridades declararam que todas as espécies de fundo estavam com estoques em níveis saudáveis. A conclusão encerra décadas de restrições que quase dizimaram a atividade pesqueira na região.
Na prática, isso se traduz em quotas maiores e na reabertura gradual de áreas antes proibidas à pesca de arrasto. Pesquisadores apontam ganhos na gestão de stocks e na adoção de tecnologias que reduzem impactos ambientais.
Recuperação histórica
Há 26 anos, o setor foi classificado como desastre. Em 2000, o governo reduziu drasticamente as capturas das 10 espécies mais ameaçadas e fechou grandes áreas para o arrasto, provocando saídas de pescadores da atividade.
Entre 2002 e 2008, o governo comprou barcos e licenças, com custos totais de dezenas de milhões de dólares. Cerca de 40% dos pescadores migraram para outras regiões; os sobreviventes continuaram sob regras mais rígidas.
A política de gestão mudou com a adoção de um modelo de cotas de captura em 2010. Em 2011, passou a vigorar o monitoramento obrigatório por observadores independentes, aumentando custos, mas ampliando a confiabilidade dos dados.
Quotas, monitoramento e custos
Atualmente, o sistema de cotas divides as parcelas entre os titulares de licenças, com possibilidade de venda. Observadores humanos foram substituídos por câmeras e sensores para reduzir custos, ainda que a instalação permaneça cara.
Os pescadores relatam que, mesmo com a recuperação dos estoques, a demanda nem sempre acompanha o aumento de quotas. A elevação de custos com diesel, seguros e gestão também pesa no orçamento.
O governo federal manteve o respaldo de políticas conservacionistas, incluindo monitoramento rigoroso, o que é visto como crucial para manter a sustentabilidade a longo prazo. Em alguns estados, há zonas com restrições adicionais.
Percepção acadêmica e econômica
Especialistas destacam que a Costa Oeste possui um dos sistemas de conservação mais avançados do mundo. Pesquisadores de universidades associadas a organizações ambientais destacam que boas práticas podem conciliar conservação e lucratividade futura.
O avanço é reconhecido por organizações internacionais, que destacaram a melhoria dos estoques e a qualidade da gestão. Ainda assim, há cautela sobre o equilíbrio entre proteção ambiental e retorno econômico imediato.
Desafios atuais
Apesar da melhoria, o setor enfrenta não apenas custos operacionais, mas também a necessidade de manter demanda estável. Representantes apontam que políticas de desregulamentação devem ser acompanhadas de salvaguardas eficazes.
Um debate ocorre entre autoridades e representantes da pesca sobre o equilíbrio entre controle rigoroso e flexibilidade de gestão. A pauta envolve o futuro de regras de monitoramento e o tamanho das cotas.
A expectativa é que, em março, o Conselho de Gestão de Pesca do Pacífico decida sobre ajustes adicionais no sistema de monitoramento. O objetivo é sustentar o avanço sem retrocessos.
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