- Um estudo recente aponta que o besouro Baterocera rufomaculata, conhecido por devastar mangueiras, está matando baobás em Omã, atingindo cerca de 100 árvores na oásis semiarido de Wadi Hinna.
- Dos 90 caules avaliados, seis baobás morreram e 12 apresentavam ataque ativo das larvas do besouro nas fibras do tronco.
- Conhecido por infestações em manga, o besouro deposita ovos na casca e as larvas podem passar meses roendo o interior da madeira, levando à queda da árvore.
- O governo omanense implementa medidas de proteção, como pesticidas, iluminação noturna para atrair os insetos e remoção da larva manualmente, prática semelhante à usada em pomares.
- Especialistas ressaltam a necessidade de biossegurança em portos, para evitar a entrada de plantas vivas que possam abrigar pragas, e destacam que ainda é incerta a extensão da infestação em baobabs fora de Omã.
Um estudo recente aponta que o escaravelho Batocera rufomaculata, conhecido por devastar mangueiras, está causando a morte de baobás em Omã. A pesquisadora Sarah Venter e colegas descrevem seis árvores mortas e 12 sob ataque na região de Wadi Hinna, com cerca de 100 baobás monitorados no vale semiarido.
Aves de madeira na região já tinham sido afetadas pela praga desde 2021, quando registros locais associaram o besouro a baobabs na área oeste do país. O estudo descreve que fêmeas cortam a casca, depositam ovos e os larvas destroem o interior do tronco por meses, levando à queda da árvore.
A investigação aponta que o ataque pode representar um caso isolado, porém revela potencial de disseminação se não houver contenção. A equipe utiliza método semelhante ao aplicado na proteção de pomares de manga, com pesticida, iluminação noturna para atrair insetos e remoção manual de larvas.
Medidas implementadas pelo governo Omã incluem aplicação de defensivos, armadilhas luminosas e remoção física de larvas. Tais ações têm apresentado resultados limitados a populações pequenas e levantam dúvidas sobre a viabilidade em áreas maiores com milhares de árvores.
Especialistas destacam a necessidade de protocolos de biossegurança para plantas vivas em portos de entrada na África e arredores, para evitar introdução de pragas. A pesquisadora ressalta que muitos viajantes não percebem que plantas de estimação, flores ou cortes podem abrigar pragas perigosas.
Analistas questionam por que o besouro não causou danos similares em Madagascar, Réunion ou Maurícia. Pesquisadores consideram hipóteses como estresse hídrico ou oferta de alimento limitada para insetos em Omã, que ainda não está plenamente explicado.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Global Ecology and Conservation e ampliam o debate sobre a relação entre espécies de baobá, pragas invasoras e mudanças ambientais. Os pesquisadores reforçam a importância de monitoramento e resposta rápida a infestações.
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