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Clima ou biodiversidade? Estudo global aponta dilema da reflorestação

Estudo global mostra que 13% das áreas prioritárias para biodiversidade coincidem com projetos de remoção de carbono por reflorestamento, evidenciando conflitos entre clima e fauna

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  • Estudo publicado na Nature Climate Change usa cinco modelos para mapear locais de remoção de CO₂ via reflorestamento ou culturas bioenergéticas.
  • Cerca de 13% das áreas globais de alto valor de biodiversidade overlappam com áreas previstas para projetos de remoção de carbono.
  • A pesquisa ampliou o escopo para cerca de 135 mil espécies, incluindo fungos, invertebrados, plantas e vertebrados.
  • Evitar regiões de biodiversidade prioritárias reduziria a área destinada a remoção de carbono em mais de cinquenta por cento até 2050.
  • A análise indica que a remoção de carbono pode trazer até 25% a mais de habitat para a biodiversidade, mas esse benefício depende da recuperação dos ecossistemas e de como as medidas são implementadas.

O estudo, publicado na revista Nature Climate Change, mapeou onde projetos de reflorestamento e de culturas de bioenergia poderiam entrar em conflito com a biodiversidade. Pesquisadores usaram cinco modelos que orientam ações climáticas para identificar áreas de alto potencial para remoção de carbono via uso intensivo de terra.

A pesquisa ampliou o escopo tradicional ao considerar cerca de 135 mil espécies, incluindo fungos, invertebrados e plantas, além de vertebrados. Com isso, obtiveram uma compreensão mais detalhada dos impactos na biodiversidade ao planejar reflorestamento ou plantações de bioenergia.

Os autores destacam que, até agora, estudos anteriores examinavam um único modelo de cada vez, com foco em um conjunto menor de espécies. Ao combinar cinco modelos, ficou evidente como a pressão sobre habitats pode variar conforme o desenho das medidas de remoção de carbono.

Panorama dos resultados

Os analistas mostraram que evitar zonas de alta riqueza de biodiversidade poderia reduzir em mais de 50% a área destinada a projetos de remoção de carbono até 2050, sinalizando trade-offs relevantes. A pesquisa aponta que as zonas conservadas apresentam menor risco de impacto sobre espécies.

Segundo Ruben Prütz, pesquisador envolvido, o estudo permite uma leitura mais granular dos conflitos entre conservação e carbono, ajudando a indicar onde as ações têm maior probabilidade de coexistir com a biodiversidade. A avaliação envolve também a visão de que florestas bem escolhidas podem continuar sendo úteis.

Perspectivas e avaliações

O estudo constatou que, em alguns cenários, a remoção de carbono poderia reduzir o estresse climático sobre a biodiversidade e ampliar o espaço de habitats, chegando a até 25% a mais de área disponível comparada a cenários sem remoção de carbono. No entanto, esse benefício depende da capacidade de recuperação de ecossistemas.

Críticos, como Mark Urban, destacam a necessidade de manter a cautela: ações de remoção de carbono podem pressionar habitats se mal planejadas. O pesquisador ressalta que florestas devem ser usadas onde há adequação ecológica, com espécies locais e manejo adequado.

Desafios e responsabilidades

O estudo também revela uma assimetria: as áreas de remoção de carbono aparecem com maior intensidade no Sul Global do que no Norte Global, o que levanta questões de justiça e responsabilidade histórica na contribuição ao aquecimento global. O trabalho enfatiza a importância de combinar reduções de emissões com estratégias de remoção de carbono.

Especialistas convidados destacam que a meta principal continua sendo a descarbonização de economias e indústrias. A remoção de carbono não deve substituir cortes significativos de emissões, conforme apontado por pesquisadores da área.

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