- Método remoto com imagens de satélite identificou 232 sítios de nidificação não documentados de condor-rupídeos em sete países, principalmente Sudão, Sudão do Sul e Chade.
- A abordagem buscou falésias com mais de 20 metros de altura, cruzando dados com atlas de aves antigos e cobrindo mais de 6 milhões de quilômetros quadrados.
- Em campo, no sul do Sudão, registro aéreo confirmou a existência de cinco colônias detectadas por satélite; 21 dos 232 locais ficam em áreas protegidas.
- Na região de Jebel Marra, no Sudão, foram encontrados 36 sítios potenciais; o conflito na área limita o acesso de pesquisadores.
- Em Etiópia, a técnica teve menos eficiência devido a relevos íngremes e sombras que ocultam as fezes brancas; ainda assim, a pesquisa destaca a importância de visitas presenciais para confirmação.
Populações de abutres de Rüppell caíram mais de 90% nas últimas quatro décadas. Uma equipe de pesquisadores testou uma forma de localizar colônias de nascimento remotamente, identificando dezenas de sítios potenciais em sete países via imagens de satélite de acesso público. O objetivo é orientar medidas de proteção.
O método foca em penhascos superiores a 20 metros, onde os animais constroem ninhos e deixam fezes brancas que aparecem em imagens. O trabalho, liderado pelo biólogo búlgaro Ivaylo Angelov, examinou áreas montanhosas em mais de 6 milhões de km² na África Oriental, Central e Ocidental.
Foram mapeadas 232 colônias não documentadas anteriormente, com maior concentração no Sudão, Sudão do Sul e Chad. Também foram identificadas áreas na República Centro-Africana, Eritreia, Etiópia e Somália.
Metodologia e verificações de campo
A equipe utiliza imagens abertas de satélite para apontar possíveis colônias e, quando viáveis, realiza voos de reconhecimento. Em áreas como o Sudão do Sul, voos de_ALTURA confirmaram a existência de cinco colônias detectadas à distância. Algumas falhas foram observadas na Etiópia, onde penhascos são íngremes e sombras ocultam as fezes.
A persistência de marcas de antigas colônias pode induzir a falsas localizações, exigindo confirmação em campo para comprovar a presença das aves.
Trabalho de campo e proteção
Megan Claase, coautora do estudo e gerente de conservação na África em parques nacionais, realizou a verificação de campo em Boma e Badingilo, no Sudão do Sul, em dezembro de 2024. Ela ressaltou que a localização por satélite foi consistente com observações precíficas na região.
Nem todas as colônias detectadas ficam em áreas protegidas; apenas 21 das 232 áreas potenciais estavam em unidades de conservação. Em zonas de Sudão do Sul, os riscos permanecem menores em parques, mas as aves costumam percorrer grandes distâncias fora dessas áreas, aumentando a exposição a ameaças.
Ameaças e perspectivas
Entre as principais ameaças estão carcaças pesticidas colocadas para dizimar predadores ou por caçadores, que afetam diretamente as abutres. Em Chad, funcionários de Sahara Conservation relataram 111 carcaças de abutres identificadas em seis meses, com sinais de saque de cabeças para uso cultural.
A pesquisa aponta potencial de uso remoto para localizar colônias de outras espécies, como o abutre-de-gripe e o abutre-indico, em diferentes regiões, com aplicações de proteção mais eficientes.
Considerações finais da pesquisa
O estudo destaca que conhecer as locações das principais colônias é essencial para proteger a espécie. As imagens de satélite ajudam a sinalizar áreas de reprodução, mas a confirmação em campo continua crucial para validar a presença das aves e orientar ações de conservação.
Entre na conversa da comunidade