- O iceberg A23a, que se separou da plataforma Filchner em 1986, já foi o maior do mundo, com pouco mais de quatro mil quilômetros quadrados.
- Ficou preso no mar de Weddell por décadas e voltou a se mover em dois mil e vinte, seguindo uma rota pelo Iceberg Alley e passando pela Coluna de Taylor.
- No fim de dois mil e vinte e cinco houve hidrofractura e derretimento na superfície, com a água de derretimento azul visível.
- Nos últimos dias, A23a percorreu aproximadamente setecentos quilômetros em onze dias, enfrentando água superficial em torno de dez graus Celsius.
- Em março de dois mil e vinte e seis restavam cerca de cento e oitenta quilômetros quadrados; aos setenta quilômetros quadrados, os cientistas devem parar de monitorar, prevendo o desaparecimento em semanas.
A23a era o maior iceberg já registrado, com área superior a 4 mil km². Depois de quatro décadas de viagem, ele se desfez progressivamente nos últimos 12 meses. Hoje, as suas partes restantes são consumidas por águas mais quentes, devendo desaparecer em semanas.
A história de A23a começou em 1986, quando o Filchner Ice Shelf rompeu-se e o iceberg se soltou do continente. Semanas depois, ficou ancorado no fundo do Mar de Weddell por mais de 30 anos.
A partir de 2020, sinais de deslocamento foram observados. Guiado por correntes oceânicas, seguiu pela região conhecida como Iceberg Alley, passou pela Ilha das Orcadas do Sul e entrou numa intricatea sequência de couros marinhos.
Movimento e rompimentos
Em 2023, drones registraram cavernas e arcos formados na geleira. O viajante quebrou-se em várias partes ao longo dos anos, em meio a fraturas induzidas pela água de degelo que infiltra as fendas, gerando novas rupturas.
A partir de dezembro de 2025, a superfície apareceu com água de degelo azul, multímeros metros de profundidade, presa nas bordas da estrutura. A situação indicou que o iceberg estava derretendo de cima para baixo.
Desintegração e contexto científico
Especialistas descrevem o processo como hydrofracture, quando água de degelo abre fendas e favorece estilhaçamento. A mistura de pedaços menores ao lado do bloco principal é chamada de mélange e aponta para um possível “ blowout” decorrente do escoamento do degelo.
A23a afastou-se mais de 700 km nos 11 dias que antecederam 22 de fevereiro, movendo-se em média 2,7 km/h pelo Atlântico Sul. A temperatura de superfície chegou a ficar perto de 10°C, acelerando a deterioração.
O que ainda se espera
As observações indicam que restam apenas fragmentos menores. Em março, estima-se que o iceberg tenha encolhido para cerca de 180 km² e deve continuar a diminuir até cerca de 70 km², quando o rastreamento deve ser interrompido.
Pesquisadores destacam que o caso de A23a não prova mudanças climáticas, mas oferece dados relevantes sobre o comportamento de icebergs em água mais aquecida. As evidências ajudam a entender o possível impacto sobre plataformas de gelo na Antártida.
Implicações para o clima e o oceano
O futuro das grandes plataformas de gelo ainda é incerto diante do aquecimento global. Icebergs como A23a funcionam como laboratórios naturais para estudar a resposta de geleiras e bolsões de gelo a ambientes mais quentes.
As últimas imagens sugerem mais fraturamento e uma dissolução acelerada. A pesquisa continua para mapear o que pode ocorrer com as estruturas de gelo na região, influenciando cenários de nível do mar.
Fontes: British Antarctic Survey, Swansea University e outros pesquisadores envolvidos no acompanhamento de A23a.
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