- Cristais de memória são criados em vidro de sílica com microperfurações geradas por lasers de femtossegundos, permitindo armazenar dados em cinco dimensões (orientação, intensidade e localização de voxels) e oferecer densidade potencial de até 360 terabytes em um disco de vidro de cinco polegadas.
- A leitura ocorre com microscópio óptico especializado; a tecnologia exige energia apenas para escrever, não para manter ou ler, abrindo caminho para armazenamento “eterno”.
- A ideia surge a partir de experimentos de 1999 na Universidade de Kyoto e do trabalho continuado pelo pesquisador Peter Kazansky, da Universidade de Southampton, com colaboração japonesa.
- A urgência do tema vem do aumento explosivo de dados: a previsão é de 394 zettabytes por ano até 2028; centros de dados consomem muita energia e recursos, impulsionando novas formas de armazenamento, inclusive DNA e cristais de memória.
- A empresa SPhotonix, criada por Kazansky em 2024, recebeu cerca de US$ 4,5 milhões em financiamento e planeja testar protótipos em centros de dados nos próximos dois anos, com expectativa de aumentar velocidades de leitura/escrita para cerca de 500 MB/s nos próximos três a cinco anos. A Microsoft tem mostrado interesse na área, incluindo pesquisas com vidro de borossilicato para armazenamento de dados.
Nos avanços no armazenamento de dados ganham impulso com a ideia de cristais de memória, além do DNA. Pesquisadores estudam como gravar informações em vidro usando lasers ultrarrápidos, buscando soluções para o volume crescente de dados produzidos globalmente.
A iniciativa envolve o pesquisador Peter Kazansky e a equipe da Universidade de Kyoto, no Japão, que observaram padrões de luz em vidro tratado com laser de femtossegundos. A descoberta abriu caminho para armazenar dados em cinco dimensões, ultrapassando a tríade tradicional.
Cristais que desafiam a física
Em 2024, Kazansky fundou a empresa SPhotonix para comercializar a ideia. A startup captou US$ 4,5 milhões em financiamento e pretende testar protótipos em centros de dados nos próximos dois anos, com leitura prevista de 30 MB/s, visando 500 MB/s em 3–5 anos.
O conceito usa vidro de sílica fundida, com nanoestruturas criadas por microexplosões do laser. Dados são lidos via polarização e intensidade da luz, com consumo de energia apenas na escrita. Teoricamente, a densidade pode alcançar centenas de terabytes por disco.
O papel do DNA e a visão de longo prazo
Simultaneamente, startups exploram o armazenamento em DNA, com a leitura estável ao longo de décadas. Em paralelo, a Microsoft tem atuado intensamente no tema, inclusive com testes em vidro de borossilicato, mais barato e durável, potencialmente com memória de até 10 mil anos.
Especialistas apontam barreiras técnicas para adoção prática, como compatibilidade com infraestruturas existentes. Mesmo assim, organizações destacam que melhorias em hardware, refrigeração e software serão cruciais para reduzir o impacto energético dos centros de dados.
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