- Um relatório intermediário apoiado pela ONU mostra que cerca de metade das espécies migratórias protegidas pelo CMS estão em declínio, e a tendência piorou nos dois últimos anos.
- O CMS já conta com 132 países e a União Europeia, com quase 1.200 espécies migratórias listadas que demandam proteção governamental.
- O documento aponta que 26 espécies migratórias listadas pela CMS passaram a ter maior risco de extinção, incluindo dezoito aves costeiras.
- A influenza aviária altamente patogênica tem impactado significativamente aves ao redor do mundo, agravando efeitos de perda de habitat, exploração e mudanças climáticas.
- A 15ª cúpula do CMS ocorre em breve no Brasil, com propostas para quarenta e duas novas espécies migratórias serem listadas, destacando a necessidade de corredores seguros e mapeamento de rotas migratórias.
O estudo recente, apoiado pela Organização das Nações Unidas, alerta que a situação das espécies migratórias piora diante da perda de habitats e da gripe aviária. Cerca de metade das populações protegidas sob a CMS está em queda acentuada, e os números pioraram nos últimos dois anos.
O relatório provisório, divulgado antes da 15ª cúpula da CMS no Brasil, aponta que 26 espécies migratórias classificadas pela CMS passaram a um patamar de risco maior de extinção, incluindo 18 aves costeiras. Dados atualizados da IUCN reforçam o recorte de ameaça.
Conforme o documento, as perdas de habitat, a fragmentação de corredores migratórios e a pressão humana intensificam os riscos, mesmo sem atribuir causas únicas a cada espécie. A pandemia de influenza aviárica contribui para quedas observadas, principalmente em aves.
A CMS, criada em 1979, busca manter rotas migratórias seguras entre fronteiras. Animais que cruzam diferentes países enfrentam regimes de proteção diversos, e ameaças em um trecho da rota podem comprometer a população inteira.
Até 2025, 132 países e a União Europeia assinaram o acordo da CMS. Estão sob proteção ou avaliação quase 1.200 espécies migratórias, entre elas baleia-azul, tartaruga verde, gru-siberiano e antílope saiga.
O relatório destaca que há avanços pontuais: algumas espécies se recuperam após ações de conservação. A oryx do Saara, reintroduzida em Chad, já contabiliza centenas de indivíduos, e populações de saiga se recuperam após surtos de doenças.
Observa também que a biodiversidade marinha e de água doce enfrenta tendências de declínio, com impactos em predadores de topo e em ecossistemas aquáticos. Estudos recentes confirmam quedas em várias regiões do planeta.
Segundo especialistas, proteger rotas de migração é essencial para que animais encontrem alimento, locais de reprodução e abrigo ao longo de anos. Mapear rotas ajuda gestores a priorizar habitats críticos e coibir lacunas.
A iniciativa destaca corridors como ferramenta-chave para permitir a passagem de animais por infraestruturas lineares, como estradas e ferrovias, mantendo populações conectadas e reduzindo colisões.
No cenário africano, por exemplo, a proteção de áreas-chave no corredor Serengeti-Masai Mara sustenta uma das maiores migrações anuais de mamíferos, com milhões de indivíduos deslocando-se entre áreas de pastagem e água.
O relatório aponta que, para espécies oceânicas e avícolas, a rede de áreas protegidas precisa ser mais integrada, não restrita a territórios contíguos, dada a natureza transfronteiriça dessas rotas.
Entre as notas positivas, o estudo cita que a reintrodução de espécies no deserto do Saara e outras ações regionais ajudam a manter populações estáveis em alguns casos, sinalizando caminhos para ações globais.
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