Em Alta NotíciasConflitosPessoasAcontecimentos internacionaiseconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Entardecer em cavernas do Quênia: cientistas estudam morcegos

Equipe coleta morcegos ao pôr do sol em cavernas de Kwale, mapeando espécies, comportamento e impactos humanos no ecossistema local

The endangered Hildegarde’s tomb bat (Taphozous hildegardeae) in flight near its roost in the caves of Mount Suswa, Kenya, during a conservation monitoring survey. Image courtesy of Bat Conservation International.
0:00
Carregando...
0:00
  • Equipe liderada por David Wechuli instala redes quase invisíveis nas encostas ao redor das Cavernas Three Sisters, em Kwale, para capturar morcegos ao pôr do sol.
  • Os morcegos capturados recebem medidas morfométricas, são identificados por sexo, têm tecidos coletados para checar doenças e são fotografados antes de serem soltos.
  • Além da captura, há gravação de áudio perto das entradas e ao longo dos trajetos de voo para identificar espécies ativas e horários de forrageamento; o guano é analisado para entender dieta.
  • Em planos futuros, a equipe pretende fixar pequenos rastreadores GPS para entender para onde os morcegos voam além das cavernas.
  • O trabalho envolve conservação comunitária, controle de acesso às cavernas, reflorestamento próximo e educação para proteger cavernas e habitats, com atenção também a Mount Suswa e aos impactos humanos.

As minutos do crepúsculo caem sobre as Cavernas Três Irmãs, no condado de Kwale, no Quênia. Uma equipe liderada por David Wechuli prepara redes quase invisíveis ao longo das encostas da floresta litorânea. Ao anoitecer, morcegos começam a deixar as cavernas, segundo o pesquisador.

Os animais capturados são pospostos em pequenos sacos de algodão para respirar. A equipe da Bat Conservation International realiza medições morfométricas, identifica o sexo e coleta tecidos para verificar doenças, fotografando cada morcego e liberando-o ao fim da coleta.

Antes da coleta noturna, a equipe inspeciona o local, enfrentando túneis escuros que podem exceder 100 metros de extensão. Alguns abrigam morcegos bem próximos ao teto, exigindo conhecimento detalhado da caverna antes das capturas.

Objetivos da pesquisa

Wechuli explica que o foco é entender como os morcegos vivem, a função ecológica dessas espécies e como atividades humanas alteram seus habitats. O trabalho ocorre nas cavernas costeiras da região Shimoni, em Kwale, e também em sistemas de cavernas vulcânicas no Mount Suswa Conservancy, a cerca de 600 quilômetros ao noroeste.

Além da captura, a equipe instala gravadores de áudio próximos às entradas das cavernas para registrar chamadas de diferentes espécies. As vocalizações ajudam a identificar quais morcegos estão ativos e quando forageiam, segundo o pesquisador.

A guano é outra fonte de informação. Analisar as fezes indica o que as espécies comem, destacando insetos, frutos ou pólen. Esses dados iluminam o papel ecológico dos morcegos, como o manejo de pragas e a dispersão de sementes.

Conservação e impactos locais

Profissionais da Maasai Mara University ressaltam a importância de proteger as cavernas, afirmando que a região africana abriga biodiversidade relevante e que muitos ambientes favoráveis aos morcegos não existem mais. Medidas de proteção incluem limitar o acesso de visitantes.

A organização Bat Conservation International apoia comunidades na criação de diretrizes para áreas sensíveis e na restauração de florestas ao redor das cavernas, com projetos de viveiros de árvores e reservatórios de água para beneficiar a fauna local.

No Mount Suswa, dezenas de tubos de lava servem de abrigo para morcegos, mas projetos geotérmicos e outras obras podem perturbar as roostas. A equipe monitora impactos sonoros e a remoção de vegetação, destacando a importância de proteger o entorno das cavernas.

Envolvimento comunitário

Salim Rimo, presidente da organização comunitária das Cavernas Três Irmãs, coordena visitas e atividades de conservação. Guias explicam às visitas quais morcegos usam as cavernas e o papel ecológico deles, além de histórico local ligado a fugas de escravizadores no século XIX.

A cooperação com a Bat Conservation International ajudou na implementação de regras de acesso, melhoria de práticas de coleta de guano e uso responsável das áreas, contribuindo para mudanças de percepção sobre morcegos na comunidade.

Perspectivas futuras

A equipe planeja fixar tiny trackers para mapear trajetos de forrageamento e entender se os morcegos se deslocam além das cavernas. Pesquisas adicionais devem ajudar a esclarecer como diferentes espécies respondem a atividades humanas e à perda de habitats.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais