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Bonobo Kanzi pode brincar de faz-de-conta, questionando imaginação animal

Kanzi, bonobo treinado em linguagem, demonstra capacidade de imaginar objetos fictícios, sugerindo que a imaginação não é exclusividade humana

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  • Estudo publicado na revista Science mostra que o bonobo Kanzi identificou e acompanhou objetos imaginários em uma série de experimentos controlados.
  • É a primeira demonstração de imaginação em um animal não humano sob condições científicas.
  • No primeiro experimento, Kanzi indicou o copo que continha o líquido imaginário após o pesquisador simular o despejo, mesmo com os copos transparentes vazios.
  • No segundo experimento, um copo tinha suco real e o outro continha suco imaginário; Kanzi escolheu o real cerca de 78% das vezes, sugerindo compreensão da diferença entre real e imaginário.
  • Kanzi morreu em março de 2025, aos 44 anos; pesquisadores querem investigar essa capacidade em outros símios e discutir as implicações para a compreensão da mente animal.

Kanzi, um bonobo de 43 anos, provou que é capaz de imaginar objetos em situações controladas, desafiando a ideia de que imaginação seja exclusiva dos humanos. A pesquisa foi publicada na revista Science em fevereiro, conduzida por equipes da Johns Hopkins University e colaboradores internacionais. O estudo utilizou técnicas de lexigramas e intervenções com objetos simulados para testar a imaginação do animal.

Em uma série de experimentos, Kanzi foi exposto a situações com copos transparentes e um jarro. O pesquisador simulou verter suco em dois copos, depois derrubou um deles, deixando claro que o líquido seria imaginário. Quando questionado, Kanzi apontou para o copo que ainda continha a imaginação do líquido.

Numa segunda etapa, os cientistas variaram se havia líquido real em um copo enquanto o outro continha apenas imaginação. Kanzi escolheu o copo com suco real aproximadamente 78% das vezes, indicando capacidade de distinguir entre o real e o imaginário. Um terceiro experimento repetiu o método com uvas.

A equipe descreve que Kanzi conseguia gerar uma ideia de objeto imaginado e, ao mesmo tempo, saber que aquilo não era real. O estudo ressalta que as bases cognitivas da imaginação podem remontar a 6 a 9 milhões de anos, na linha comum aos humanos e aos grandes símios.

Entre os participantes, o coautor Christopher Krupenye, da Johns Hopkins, afirma que a imaginação não estaria restrita ao presente imediato, o que representa uma mudança de perspectiva. Amalia Bastos, ex-fellow de Hopkins, destaca que o resultado amplia a compreensão sobre habilidades mentais de primatas.

Kanzi viveu em cativeiro na Ape Initiative, em Des Moines, Iowa, e foi treinado com mais de 300 lexigramas. Ele faleceu em março de 2025, aos 44 anos, o que impede novas experiências com ele. Pesquisadores pretendem ampliar estudos com outros grandes símios, incluindo indivíduos sem intensa enculturação humana.

Contexto científico

Especialistas externos reconhecem o valor da demonstração experimental da imaginação em não humanos. Críticos levantam dúvidas sobre possíveis pistas simples, como respostas a estímulos recentes. Ainda assim, o estudo reforça a importância de investigar capacidades mentais de espécies não humanas.

A pesquisa abre caminho para novas investigações sobre a complexidade cognitiva em primatas. Autores ressaltam que um melhor entendimento sobre a imaginação pode influenciar políticas de conservação e bem-estar animal, incentivando cuidado com essas espécies.

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