- O rover Perseverance, da Nasa, detectou vestígios subterrâneos de um antigo delta de rio na cratera Jezero, em Marte.
- O radar Rimfax mapeou camadas de sedimentos até 35 metros de profundidade, coletando dados entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, durante 6,1 quilômetros percorridos.
- O delta, hoje soterrado, existiu entre 3,7 e 4,2 bilhões de anos atrás, sendo anterior a outra formação da região chamada delta ocidental.
- Os pesquisadores afirmam que o depósito indica um ambiente rico em água capaz de preservar bioassinaturas; uma rocha estudada anteriormente já mostrou possível sinal de vida antiga.
- A equipe destaca o Rimfax como ferramenta valiosa para entender a geologia de Marte, com a Perseverance explorando Jezero desde 2021.
O rover Perseverance, da Nasa, revelou vestígios subterrâneos de um antigo delta de rio na cratera Jezero, em Marte. A descoberta, apresentada em estudo publicado na Science Advances, aponta que o delta existiu há bilhões de anos e foi mapeado a partir de dados de radar de penetração no solo.
Os pesquisadores identificaram camadas de sedimentos e superfícies erodidas indicativas de um ambiente de delta, formado onde um rio desaguava em um corpo d’água maior. A análise sugere que o delta ficou soterrado ao longo do tempo, preservando evidências de água antiga na região.
O instrumento Rimfax, a bordo do Perseverance, enviou pulsos de radar que alcançam o subsolo e retornam com informações sobre estruturas profundas. Os dados, coletados entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, geraram o mapeamento tridimensional do subsolo marciano.
O que foi descoberto
Segundo os autores, o delta estava entre 3,7 bilhões e 4,2 bilhões de anos atrás e ajudou a estabelecer condições para a presença de água estável na região norte da Cratera Jezero. A área, hoje soterrada, teria abrigado um ambiente ricamente marcado pela água.
Cientistas destacam que o delta precede a formação de uma outra estrutura similar próxima, conhecida como delta ocidental, datada entre 3,5 e 3,7 bilhões de anos. A comparação de both reforça a ideia de rios ativos no passado marciano da região.
Implicações e contexto
A equipe aponta que o ambiente antigo era capaz de preservar bioassinaturas, informações que ajudam a entender a história da água em Marte. Em pesquisas anteriores na mesma cratera, o Perseverance recolheu rochas com sinais potenciais de vida microbiana antiga, embora sem confirmação definitiva.
O estudo reforça o valor do Rimfax como ferramenta para investigar a geologia de planetas distantes. O componente de radar permite visualizar camadas e estruturas que não seriam detectáveis por sensores ópticos, ampliando o entendimento sobre a história hidrológica de Marte.
Continuidade da missão
O Perseverance vem explorando Jezero desde 2021, com foco em entender a formação de canais de rio e a possível existência de lagos passados. As descobertas atuais acrescentam informações consistentes sobre a dinâmica antiga da cratera e o papel da água no passado marciano.
Cientistas destacam que cada missão de rover amplia o conhecimento sobre o planeta vizinho, contribuindo para a construção de um quadro mais completo sobre a evolução de Marte.
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