- Um estudo publicado na Nature Communications mostra que o Pinot Noir já existia na França no século XV, mantido até hoje por clonagem.
- Análises de DNA de uma semente encontrada em latrinas de um hospital medieval em Valenciennes indicam que a variedade era idêntica ao Pinot Noir moderno.
- A propagação clonada, por meio de técnicas como o bouturage, teria sido usada há séculos para manter a variedade ao longo do tempo.
- Os pesquisadores pesquisaram 54 pepas de vinho que remontam ao Bronze e à era medieval, revelando que a propagação clonada era conhecida e praticada cedo na viticultura francesa.
- A descoberta levanta perguntas sobre o uso da variedade: se o fruto era consumido como uva de mesa ou utilizado para vinho, além de contextualizar contatos e trocas de materiais vegetais entre culturas antigas.
Um estudo publicado na Nature Communications aponta que o Pinot Noir contemporâneo, usado para a produção de vinhos, já existia na França no século XV. A pesquisa indica que a variedade chegou aos dias atuais por meio de técnicas de clonagem, como o bouturage, mantendo-se idêntificada ao longo dos séculos.
A evidência vem da análise de um pé de Pinot Noir encontrado entre dejetos em uma latrina de um hospital do século XV, localizado em Valenciennes, no norte da França. O sequenciamento do DNA revelou que a planta era idêntica ao Pinot Noir moderno, sugerindo propagação clonale desde então.
Os autores da pesquisa explicam que não é possível determinar se o fruto encontrado era consumido como uva de mesa ou utilizado para vinificação na época. Mesmo assim, o estudo vincula a planta ao “cépage de rois” da Bourgogne, destacando a prática de clonagem repetida ao longo das gerações para manter as características da variedade.
Ludovic Orlando, paléogeneticista e coautor do estudo, ressalta que a investigação abre caminhos para entender atributos acessíveis via ADN, como sabor, resistência a doenças ou padrões de floração. O trabalho destaca a necessidade de colaborar com historiadores para cruzar textos antigos com os achados genômicos sobre técnicas de propagação.
A pesquisa analisou o genoma de 54 sementes de época que vão do Bronze à Idade Média. Os resultados ajudam a mapear como a propagação clonale foi compreendida e dominada precocemente na viticultura francesa, conforme apontado pelos especialistas. Bouby afirma que há indícios precoces de clonagem já do final do primeiro milênio a.C., com evidências de clones em locais distantes no tempo e no espaço.
Os cientistas também discutem a evolução da viticultura na região, com sementes da região de Nîmes datadas entre -2300 e -2000 anos. Várias amostras mostram transações entre plantas selvagens e variedades domesticadas. O estudo sugere que esse intercâmbio genético ocorreu de forma natural e, possivelmente, também por seleções deliberadas para adaptar as vinhas ao ambiente local.
Entre na conversa da comunidade