- Estudo com questionários em escolas públicas e privadas de várias regiões criou índices de depressão, ansiedade e ideação suicida, apontando maior sofrimento entre meninas.
- Entre os itens avaliados, houve relatos de alterações de sono, perda de interesse, irritabilidade, medo, preocupação, desesperança e pensamentos sobre morte, com maior frequência entre meninas.
- Os indicadores usam escalas consolidadas; ideação suicida envolve pensar em não acordar ou em morrer, e houve registro de automutilação em alguns casos.
- Fatores como mudanças hormonais da puberdade, pressão estética, responsabilidades domésticas e violência são citados como contribuintes, contribuindo para maior vulnerabilidade entre meninas.
- Ambiente digital influencia o quadro: meninas dão mais atenção a plataformas visuais e costumam sofrer com comparação e cyberbullying, enquanto meninos se concentram mais em jogos online.
O estudo recente sobre saúde mental na adolescência aponta diferenças consistentes entre meninas e meninos em diversos indicadores emocionais. Ao medir depressão, ansiedade, ideação suicida e automutilação, os pesquisadores identificaram que as meninas relatam maior sofrimento psíquico em média. O levantamento utilizou questionários confidenciais aplicados em escolas públicas e privadas do país.
Os itens avaliados incluíram alterações de sono, perda de interesse por atividades, irritabilidade, medo, preocupação, desesperança e pensamentos sobre a morte. A partir das respostas, foram criados índices de depressão, ansiedade e ideação suicida. Embora haja variações por faixa etária e contexto social, o padrão de maior vulnerabilidade entre as meninas apareceu de forma consistente.
O que os indicadores mostram depende de escalas já consolidadas na psicologia. Em depressão, observa-se tristeza persistente, falta de concentração e queda de rendimento. A ansiedade é medida por medo intenso, tensão e sintomas físicos. Ideação suicida envolve pensamentos de se machucar ou morrer, sem necessariamente indicar intenção de agir, mas sinal de sofrimento a ser acompanhado.
A automutilação também foi observada, bem como uso de substâncias para aliviar angústia, compondo um quadro mais amplo da saúde mental nesse grupo. A diferença entre gêneros não funciona como explicação única. Fatores biológicos, sociais, culturais e familiares se entrelaçam, com a puberdade e a pressão estética entre os elementos relevantes para as meninas.
Questões de gênero aparecem em aspectos como responsabilidade doméstica, controle de saídas e exposição a situações de violência. A percepção de vulnerabilidade e a maior abertura para falar sobre sentimentos também podem influenciar os relatos em questionários, diferente do que ocorre entre alguns meninos, que podem reduzir a expressão emocional para atender padrões culturais.
O ambiente digital é apontado como fator relevante. Meninas costumam usar mais plataformas visuais, com forte foco em aparência e popularidade, o que pode intensificar autocrítica e medo de exclusão. Meninos, por sua vez, frequentemente recorrem a jogos online e ambientes com menos exposição da imagem pessoal, com outros riscos associados.
Como interpretar os dados, sem simplificações, envolve considerar renda, acesso a serviços de saúde, contexto escolar e apoio familiar. Médias por grupo não equivalem a previsões individuais. Meninos com alto sofrimento existem, assim como meninas com boa adaptação emocional em contextos similares. A leitura deve evitar estigmatizações e reconhecer variedade dentro de cada grupo.
As implicações para políticas públicas apontam para ações sensíveis a gênero, sem reforçar rótulos. Recomenda-se capacitar escolas para identificar sinais de sofrimento, ampliar o acesso a serviços psicológicos e promover ambientes seguros para discussão de emoções, para todas as adolescentes.
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