- A reserva Tswalu Kalahari, na África do Sul, usa a restauração de ecossistemas para aumentar o carbono do solo, com o manejo da fauna como motor principal.
- Localizada em uma região de clima seco, com precipitação anual média entre 10 e 50 centímetros, a área já abriga espécies como zebras, cães selvagens, rinocerontes e antílopes.
- A iniciativa envolve crédito de carbono: já foram emitidos mais de 34 mil créditos validados, com a expectativa de alcançar mais de 275 mil no total.
- A ideia é recriar o “disturbance regime” — o impacto periódico de herbívoros e predadores — para promover a saúde do solo e o armazenamento sustentável de carbono.
- Pesquisadores destacam que solos armazenam trilhões de toneladas de carbono e que animais de criação, quando bem geridos, podem também contribuir para o carbono do solo, embora haja ceticismo científico sobre resultados universais.
A reserva Tswalu Kalahari, na África do Sul, expande sua trajetória de rewilding rumo a um ganho de carbono no solo. Animais como zebras, cães-do-cado e rinocerontes selvagens ajudam a restaurar o ecossistema do deserto e savana seca da região. A iniciativa envolve ciência, conservação e financiamento por créditos de carbono.
O projeto é conduzido pela equipe da reserva, com participação de pesquisadores e da empresa Rewild Capital. O objetivo é medir o carbono armazenado no solo, além de ampliar a biodiversidade e a resiliência do ambiente frente às mudanças climáticas.
A operação ocorre em meio a um cenário de variabilidade de chuvas no Kalahari, onde os registos são irregulares e o manejo depende da disponibilidade hídrica. O programa assume riscos naturais, buscando equilíbrio entre conservação e geração de crédito de carbono.
O que está acontecendo
A reserva, com 118 mil hectares, busca consolidar a captura de carbono no solo via rewilding. Grandes herbívoros movem-se pelo terreno, promovem mistura de nutrientes e favorecem a atividade microbiana que fixa carbono a longo prazo.
Pesquisadores associam o manejo de predadores a padrões de uso do solo que influenciam a densidade de herbívoros. Ocasionalmente, a presença de cães-do-cão e outros predadores muda os deslocamentos e os pontos de alimentação.
A iniciativa foi apresentada como um “proof of concept” de créditos de carbono vinculados à conservação wildlife. Tswalu já emitiu créditos validados e pretende ampliar o total ao longo do tempo.
Como funciona o carbono no solo
Estudos indicam que resíduos vegetais, quando transformados pelo solo com a ajuda de micróbios, formam carbono estável. O pisoteio de grandes herbívoros acelera esse processo, potencializando a conversão de carbono em formas duráveis.
Pesquisas em outros locais reforçam que a presença de animais silvestres tende a manter maior armazenamento de carbono do que sistemas agropecuários intensivos. A microbiologia do solo é fator-chave na estabilização do carbono.
Especialistas ressaltam que a dinâmica depende da densidade de herbívoros e da presença de predadores. Em ecossistemas restaurados, o equilíbrio entre espécies é essencial para evitar degradação.
Gestão e desafios
A ecologista Wendy Panaino coordena a gestão de Tswalu com foco em resiliência climática. O objetivo é manter o ecossistema estável diante de alterações de precipitação.
A presença de predadores como cães-do-cão, leoas e leopardos influencia o movimento dos herbívoros e a distribuição de alimento pelo terreno. A gestão busca manter a diversidade e evitar desequilíbrios.
Conjuntamente, pesquisadores defendem o monitoramento contínuo para validar benefícios de carbono e biodiversidade. O uso de incentivos de mercado pode sustentar a conservação sem depender apenas de doações.
Resultados e financiamento
A iniciativa já gerou créditos de carbono certificados por metodologias internacionais, com metas de expansão futura. O financiamento, via créditos, sustenta ações de restauração e pesquisa.
Executivos da iniciativa destacam que os créditos de carbono ajudam a manter a conservação a longo prazo, beneficiando fauna, ecossistema e comunidades locais. A continuidade depende de dados robustos e avaliações periódicas.
O esforço de Tswalu é apresentado como laboratório de rewilding com potencial replicável para outras reservas. A avaliação contínua é vista como essencial para confirmar impactos sobre clima e ecossistemas.
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