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As maiores migrações de peixes do mundo entram em colapso

Avaliação global aponta quedas severas nas migrações de peixes de água doce; 97% dos migratórios já estão em risco de extinção, exigindo cooperação internacional

Na imagem, um cardume de peixes
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  • Migrações complexas de peixes de água doce, entre as maiores movimentações da fauna, estão em colapso devido a barragens, pesca intensiva e degradação de habitats.
  • Avaliação global identifica 325 espécies migratórias de água doce como candidatas a ações internacionais sob a Convenção sobre Espécies Migratórias.
  • Entre as espécies já listadas pela convenção, cerca de 97% estão em risco de extinção; na Ásia, megapeixes migratórios diminuíram mais de noventa e cinco por cento desde setenta.
  • Exemplos de espécies em risco: bagre-gigante do Mekong, hilsa, dourada das corredeiras, além de importantes cheias culturais e econômicas na região.
  • A cooperação internacional, início pelo compartilhamento de dados e gestão conjunta, é apontada como essencial para manter rios conectados e recuperar as migrações.

Nos maiores rios do planeta, as migrações de peixes estão sob pressão cada vez maior. Novas avaliações apontam que grande parte dessas espécies migratórias enfrenta declínio acentuado, impactando comunidades que dependem dessas jornadas para alimentação e cultura. A conclusão vem de uma avaliação global apresentada para a reunião das partes da Convenção sobre Espécies Migratórias em 2026.

A pesquisa analisou mais de 15 mil espécies de peixes de água doce, mapeando quais migram e avaliando seu status de conservação. Foco nas populações migratórias em declínio revelou 325 espécies candidatas a ações internacionais coordenadas. Entre as já listadas, 97% enfrentam risco de extinção.

Os gigantes em risco do Mekong

Entre os casos mais emblemáticos, o bagre-gigante do Mekong pode chegar a 295 kg. Barragens interromperam rotas de desova e a pressão da pesca no gargalo da migração ameaça a sobrevivência dos adultos. No Camboja, os trey riel são parte essencial da vida local; no sul da Ásia, o hilsa integra tradições culturais e econômicas.

Migradores sob ameaça em grandes sistemas

Na Amazônia, grandes bagres percorrem longas distâncias, com a dourada alcançando até 2 metros. As corredeiras de Teotônio, entre Bolívia e Brasil, tiveram seus fluxos comprometidos por barragens, reduzindo especialmente as populações de douradas. Repressões de rios no Hemisfério Norte também desorganizam rotas milenares.

Por que as migrações enfrentam dificuldades

Barragens, fragmentação de habitats, poluição e sobrepesca interrompem trajetos de muitos peixes. Em bacias compartilhadas por vários países, a gestão costuma ser local, dificultando ações coordenadas. Rios conectados são essenciais para manter populações estáveis ao longo de décadas.

Caminhos para a recuperação regional e internacional

A Convenção sobre Espécies Migratórias atua como mecanismo de cooperação entre nações. Compartilhamento de dados e ações coordenadas, como proteção de várzeas, desovas e gestão da pesca, são vias para recompor populações. Em várias bacias, a cooperação internacional é urgente para evitar o colapso de comunidades inteiras.

Exemplos de preservação e perspectivas

Alguns casos mostram possibilidades de recuperação: em Washington, a remoção de barragens liberou habitats que favorecem várias espécies migratórias. A gestão transfronteiriça, aliada a restauração de habitats, pode reverter parte dos declines observados.

Conclusões e próximos passos

A avaliação demonstra a necessidade de ações rápidas e coordenadas para manter rios conectados e ecossistemas intactos. A prioridade recai sobre bacias transnacionais como Amazônia, Mekong, Danúbio, Nilo, Ganges e La Plata-Paraná. A cooperação internacional é vista como fundamental para a conservação.

As migrações de peixes continuam a moldar ecossistemas, subsistência e cultura de milhões. A nova avaliação esclarece onde a cooperação é mais necessária e como começar a restaurar essas jornadas que circulam por milhares de quilômetros.

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