- A Microsoft inaugurou seus primeiros data centers de IA no Brasil, em Hortolândia e Sumaré, interior de São Paulo, usando torres de evaporação.
- Esses sistemas de refrigeração perdem água por evaporação; modelos mais recentes usam circulação fechada para economizar água, porém consomem mais energia.
- O gasto estimado de água chega a até 3,24 milhões de litros por dia no campus da região metropolitana de Campinas.
- A Sabesp informou que não deve haver efeito no abastecimento e as licenças ambientais foram aprovadas pelas prefeituras de Hortolândia e Sumaré.
- A empresa afirma que usará as torres de evaporação em cerca de 10% do tempo de operação, quando as temperaturas passarem de 29,4 graus Celsius; novos projetos com tecnologia de baixo consumo de água também estão em pauta.
Ainda em janeiro, a Microsoft iniciou a operação de seus primeiros complexos de IA no Brasil, em Hortolândia e Sumaré, interior de São Paulo. A empresa utiliza torres de evaporação para refrigeração, prática antiga que consome mais água que sistemas de circulação fechada.
Os data centers, segundo documentos locais, devem consumir até 3,24 milhões de litros de água por dia na região metropolitana de Campinas. Em comparação, o gasto diário equivale ao consumo de cerca de 15 mil pessoas na mesma área.
A Sabesp, responsável pela água na região, informou que não identifica risco para o abastecimento municipal. As obras possuem licenças ambientais concedidas pelas prefeituras de Hortolândia e Sumaré e o serviço é alvo de monitoramento hídrico.
No material para a comunidade, a Microsoft afirma que pretende usar as torres de evaporação em apenas 10% do tempo de operação, quando as temperaturas superam 29,4°C. Em 2024, a empresa já havia sinalizado avanços para reduzir o consumo de água com tecnologias mais novas.
Analistas lembram que a refrigeração evaporativa, comum em data centers, pode pressionar bibliotecas hídricas locais durante ondas de calor. Pesquisas da Unicamp indicam que a média de dias com temperaturas altas na região de Campinas tende a aumentar com as mudanças climáticas.
Documentos da Microsoft, obtidos por veículos de imprensa internacionais, indicam planos de consumo de água que se acelerariam com a expansão da infraestrutura de IA, chegando a milhares de milhões de litros ao longo da década. A companhia sustenta que novas unidades já utilizam tecnologias com zero consumo de água.
A prefeitura de Hortolândia indica que, como contrapartida, a Microsoft deve ampliar ruas e construir uma via marginal. Em Sumaré, a prefeitura não respondeu às tentativas de contato. A cidade recebeu um terreno de 11 mil m² repassado pela empresa.
As unidades de Hortolândia e Sumaré somam, segundo a empresa, uma capacidade instalada de 60 MW cada uma. A soma equivale, em potência, a alguns dos maiores centros de dados da região, refletindo o papel da empresa na matriz de IA no país.
A operação brasileira ocorre em meio a debates sobre sustentabilidade e uso de água na IA, com críticas de ativistas e defesa por parte das empresas quanto à necessidade de expansão para apoiar a inovação. Fontes apontam que o Brasil atrai incentivos locais para reduzir tributos municipais.
As obras, que envolveram cerca de 3.300 trabalhadores no pico, devem manter a projeção de geração de empregos diretos entre 40 e 50 vagas por unidade, segundo informações locais. A assinatura de parcerias com instituições educacionais também está em pauta para formação na operação dos data centers.
A reportagem ainda destacou que o consumo de energia dessas unidades é alto, com impactos relevantes para o entorno. No Brasil, a maioria dos data centers emprega refrigeração a ar; a tendência é migrar para sistemas com água, seja de forma fechada ou evaporativa, para lidar com o calor intenso gerado pela IA.
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