- Existem entre 50 e 249 indivíduos adultos de garça-de-barriga-branca (Ardea insignis) no mundo, com ocorrência em vales florestais intocados no norte de Myanmar, Índia nordeste e Butão.
- Pesquisas comunitárias em Kachin, lideradas pelos Northern Wildlife Rangers, identificaram de três a cinco garças na área de estudo entre 2022 e 2023, com 25 avistamentos no total.
- O acompanhamento é financiado por programa de pequenas subvenções da WWF, buscando fortalecer a conservação local diante da redução de apoio governamental e de ONGs na Myanmar sob crise política.
- A situação de instabilidade restringiu as visitas a apenas dois afluentes fluviais seguros para monitoramento: Putao-Wai Lang Dam e Nawngmung; outros habitats ficaram inacessíveis.
- Principais ameaças incluem poluição de leito de rio, mineração artesanal, risco de redes de pesca abandonadas e caças ocasionais, com ações locais de educação e controle de armas de ar para reduzir riscos.
Local conservationists mantêm pesquisa sobre garça-de-barriga-branca em meio à instabilidade em Mianmar. A equipe comunitária de levantamento de aves confirmou que uma das espécies mais ameaçadas ainda persiste na região de Kachin, norte do país.
Estimativas apontam que entre 50 e 249 indivíduos adultos existem globalmente, com a maior parte concentrada em vales florestais remotos de Butão, nordeste da Índia e norte de Mianmar. A espécie depende de rios grandes e de água limpa para a alimentação, o que dificulta sua adaptação a cursos d’água alterados pelo homem.
A pesquisa tem como foco a área de Putao-Wai Lang Dam e Nawngmung, onde as condições de segurança permitem monitoramento a pé. Outros habitats promissores ficaram inacessíveis devido a tensões políticas que se intensificaram após o golpe de 2021.
Esforços locais sustentam conservação
Conduzidos pela Northern Wildlife Rangers, moradores locais identificaram de três a cinco garças em 25 avistamentos entre 2022 e 2023. O projeto é financiado por um programa de microgrants da WWF, criado para manter capacidades locais diante da redução de apoio governamental e da presença de ONGs no país.
A iniciativa demonstra o papel crescente da sociedade civil em Mianmar, frente à crise política e à intensificação de atividades extrativistas. Pesquisadores destacam a importância dessas ações para a conservação da espécie, mesmo com dados limitados.
Ameaças persistentes e próximos passos
Entre as ameaças identificadas estão a poluição decorrente de dragagem de leitos de rios, mineração artesanal de ouro e o risco de enredamento em redes de pesca descartadas. Também foram registradas mortes por caça, prática facilitada pela ausência de fiscalização eficaz.
Os pesquisadores ressaltam a urgência de ampliar a educação comunitária para reduzir ataques aos garças e incentivar a proibição de armas de ar comprimido. A equipe pretende expandir os levantamentos para outras áreas do norte do país e, com disponibilidade de recursos, explorar Nagaland, na Índia, onde podem existir áreas de importância para a espécie.
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