- Estudo sugere que carbono antigo armazenado nas peatlands do Congo pode ser liberado para a atmosfera por meio de lagos formados nessas áreas, como Mai Ndombe e Tumba.
- Cerca de quarenta por cento do carbono observado nos lagos é de idade entre dois mil e três mil e quinhentos anos.
- Os lagos são chamados de “blackwater” e contêm grande quantidade de matéria orgânica; as amostras foram coletadas com equipamentos especializados para avaliação de carbono.
- O estudo aponta dois caminhos para a liberação de carbono: o tradicional, por micróbios de matéria vegetal recente, e um segundo, possivelmente do interior do próprio turbial, liberando carbono mais antigo como CO₂ e metano que é convertido novamente em CO₂.
- Os autores destacam a importância de entender a estabilidade atual das peatlands e considerar políticas de restauração e manejo para manter o carbono armazenado, dado que o registro total é de cerca de 30 bilhões de toneladas.
O estudo publicado na Nature Geoscience aponta que parte do carbono antigo armazenado nas turfeiras do Congo pode estar voltando à atmosfera por meio de lagos que se formam nas zonas alagadas. Pesquisadores demonstraram que, em Lake Mai Ndombe e Lake Tumba, quase 40% do carbono CO₂ liberado pode proceder de carbono de turfa de 2.000 a 3.500 anos atrás.
A equipe é liderada por Travis Drake, especialista em bioquímica de carbono na ETH Zürich, Suíça. O trabalho, divulgado em 23 de fevereiro, usa datação por radiocarbono para rastrear a origem do carbono que compõe o CO₂ expelido pelos lagos durante o escoamento de águas profundas.
Os lagos estudados são de água escura, conhecidos como “blackwater”, com alta concentração de matéria orgânica. A pesquisa combinou amostragens no Lake Mai Ndombe e no Lake Tumba e modelagem estatística para identificar as fontes do carbono dissolvido e gasoso.
Descobertas e métodos
Os pesquisadores colheram amostras com dispositivos especiais de profundidade, em locais de difícil acesso por terra, recorrendo a embarcações rápidas. O objetivo foi distinguir o carbono recente, produzido pela decomposição de matéria vegetal, do carbono antigo armazenado nas turfeiras.
Os resultados mostraram que a maior parte do CO₂ não deriva apenas de micro-organismos quebrando matéria vegetal recente, mas que uma parcela considerável vem de turfeiras muito antigas, em torno de milhares de anos. A equipe propõe um segundo caminho de liberação, possivelmente envolvendo a degradação de matéria profunda na turfa e a emissão de metano que se transforma em CO₂.
Implicações e próximos passos
Especialistas convidados destacam que a descoberta oferece dados relevantes para entender o papel das zonas úmidas tropicais no ciclo do carbono. A possível contribuição de carbono milenar aos estoques atmosféricos transforma como models climáticos simulam peatlands.
Embora o estudo não determine ainda o peso exato do metano na liberação total de carbono, ressalta a necessidade de mais pesquisas sobre processos microbiais e as condições climáticas que afetam as turfeiras do Congo. A preservação e a restauração desses ecossistemas aparecem como fatores importantes para reduzir riscos climáticos.
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