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Goiaba invasiva domina florestas de Madagascar e lêmures ajudam

Guava invasiva forma densos mosaicos que ameaçam a fauna e a restauração da floresta de Madagascar, enquanto lêmures ajudam a espalhar as sementes

A lemur eating a strawberry guava. Image courtesy of Natalee Phelps.
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  • Madagascar enfrenta invasão de strawberry guava, que forma clareiras densas em áreas de floresta já perturbadas desde a década de 1930.
  • Lemures, incluindo o sifaka Milne‑Edwards, comem os frutos vermelhos, contribuindo para a dispersão das sementes da planta invasora.
  • A presença das goiabeiras invasoras reduz a diversidade de insetos e pode levar à dominância de monocultivos, prejudicando a regeneração de plantas nativas.
  • A perda de plantas nativas e de recursos alimentares afeta várias espécies, incluindo aves e tenrecs, além dos próprios lemures.
  • Em Maurícia, estudos indicam que biochar pode mitigar efeitos allelopáticos da guava e favorecer plantas nativas, mas é necessário avaliar dosagens, custos e impactos em larga escala.

O que acontece a seguir descreve como a guava invasora está ocupando áreas críticas de florestas em Madagáscar, impactando as espécies nativas e, ao mesmo tempo, envolvendo lemures na dispersão de sementes. Pesquisas recentes mostram que a guava-semente, exposta por lemas, pode se tornar dominante em áreas já degradadas desde a década de 1930.

Pesquisadores liderados pela bióloga Amy Dunham, da Rice University, observaram Ranomafana National Park, no sudeste do país. Em 2024, um estudo evidenciou que o cultivo de morangos-guaná favorece o surgimento de clareiras densas, reduzindo a diversidade de plantas nativas e de insetos, com impactos na cadeia alimentar local.

Impacto sobre o ecossistema

As áreas invadidas pelos morangos-guaná formam monocultivos que drenam nutrientes do solo e dificultam o recrutamento de espécies nativas. Esses ambientes pouco atraem a fauna local e reduzem a disponibilidade de presas para várias aves, morcegos e mamíferos, incluindo diferentes tipos de lemures.

Além disso, a falta de epífitas, como lárvores ornamentadas pela presença de visgos, compromete a disponibilidade de alimento para muitos animais. Em Ranomafana, especialistas registraram a ausência de visgos em clareiras dominadas pela guava, prejudicando sementes de plantas hospedeiras que sustentam a fauna.

O papel das espécies locais

Entre as espécies afetadas pela perda de plantas nativas estão os insetos, que servem de proteína para muitos animais. A redução da diversidade de insetos acompanha a queda de recursos alimentares de animais grandes, como lemures de diferentes espécies, aves e mamíferos invertebrados.

A energia alimentar de várias espécies depende de uma teia complexa de plantas e flores. Estima-se que a degradação de mistletoes, plantas parasitas presentes em árvores nativas, agrave ainda mais a dependência de espécies por fontes de alimento sazonais, agravando a vulnerabilidade de populações de lemures.

Possíveis vias de manejo

Pesquisas em Maurícia indicam uma via promissora: o uso de biochar, carvão vegetal produzido a partir de resíduos vegetais, para mitigar os efeitos do allelopático da guava. Em parques nacionais da ilha vizinha, a aplicação de biochar em áreas com remoção de guava mostrou redução de toxinas do solo e promoção do crescimento de plantas nativas.

O experimento mauriciano utilizou cascas de coco na produção do biochar, sugerindo que, se escalado, poderia empregar restos de guava como fonte de carbono. Contudo, especialistas ressaltam que a dosagem, os impactos em diferentes solos e a viabilidade logística devem ser avaliados com cautela.

Perspectivas para Madagáscar

Especialistas destacam que, mesmo com remoção das raízes da guava, as folhas e frutos deixam resíduos que podem atrasar a recuperação de espécies nativas. A restauração exige estratégias integradas que combinem manejo de espécies invasoras, restauração de plantas nativas e monitoramento constante da biodiversidade.

Pesquisadores ressaltam que a preservação da biodiversidade do ecossistema madagascárico depende de ações coordenadas em larga escala. A meta é reconstruir florestas com estrutura e função ecossistêmica completas, assegurando alimento e habitat para lemures e outras espécies.

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