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Médico elabora receitas com desenhos para pacientes analfabetos

Receitas desenhadas para pacientes analfabetos aumentam adesão a tratamentos; ferramenta já é usada em mais de dez municípios e comunidades indígenas

criou uma ferramenta para um problema recorrente do Sistema Único de Saúde (SUS)
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  • O médico Lucas Cardim criou receitas desenhadas à mão, com símbolos para horários e doses, para pacientes analfabetos; practice começou no Sertão de Pernambuco, em Petrolina, em 2020.
  • A ferramenta levou à plataforma Cuidado para Todos, que reúne medicamentos com ícones simples para facilitar a adesão ao tratamento, especialmente na atenção primária.
  • A prática já é usada em mais de dez municípios e em distritos de saúde indígena em estados como Alagoas, Sergipe, Santa Catarina e em unidades de apoio em São Paulo; Baixio, no Ceará, adotou oficialmente.
  • Dados de acompanhamento mostram melhora na adesão e nos indicadores clínicos, com destaque para diabetes e uso de insulina; pacientes passam a retornar ao posto com mais regularidade.
  • O projeto busca incorporar o prontuário eletrônico do cidadão para ampliar alcance; a ferramenta funciona offline, o que facilita em áreas sem internet, segundo profissionais envolvidos.

O médico da família e comunidade Lucas Cardim criou uma ferramenta para combater a dificuldade de pacientes analfabetos seguirem tratamentos. O recurso usa desenhos à mão para indicar horários e doses, facilitando a adesão. A prática começou no Sertão de Pernambuco, em Petrolina, e já é adotada em municípios do Nordeste e territórios indígenas.

A estratégia envolve receitas desenhadas com símbolos simples. Xícara representa o café da manhã, lua indica a noite e círculos mostram a quantidade de comprimidos. Segundo Cardim, a leitura de prescrições escritas é insuficiente para muitos pacientes, prejudicando a continuidade do tratamento.

A iniciativa ganhou estrutura em 2020, a partir do atendimento na unidade básica de Bebedouro, zona rural de Petrolina. Ele, junto com o amigo de infância Davi Pires, desenvolveu a plataforma Cuidado para Todos, reunindo os medicamentos mais usados na atenção primária com ícones de fácil interpretação.

Resultados iniciais mostram melhoria na adesão clínica, especialmente em diabetes, onde erros de aplicação da insulina e de rodízio de locais de aplicação diminuíram. Com as receitas ilustradas, indicadores de controle terapêutico apresentaram avanços.

Além dos ganhos clínicos, a ferramenta fortalece a relação entre pacientes e a atenção básica. Pacientes relatam maior compreensão e repetem o tratamento, reduzindo o abandono do serviço de saúde.

Expansão e uso

A prática já é utilizada por profissionais de saúde em mais de dez municípios e em distritos de saúde indígena, em Alagoas, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo. No Ceará, Baixio adotou oficialmente o modelo em todas as unidades básicas de saúde.

O projeto busca incorporar a ferramenta ao prontuário eletrônico do cidadão para ampliar o alcance. A meta é facilitar a adoção em outras regiões do país e ampliar a cobertura de pacientes com baixa alfabetização.

Impacto em territórios indígenas e áreas remotas

A farmacêutica Raquel Pankararu, da Casai em São Paulo, destaca a atuação da ferramenta com pacientes indígenas e ribeirinhos. Ela já utiliza os desenhos no acompanhamento de pacientes atendidos pela Casai, com orientação de tratamento entregue junto com a medicação.

Em ações na Amazônia, a ferramenta facilita o atendimento a populações isoladas, onde o acesso à internet é limitado. O formato offline é visto como diferencial, pois reúne informações sobre medicamentos para orientar profissionais e pacientes.

A aceitação tem sido positiva entre comunidades visuais, que relatam maior compreensão dos horários e da forma correta de uso dos fármacos.

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