- Estudo da Universidade de Cornell, publicado na JAMA Network Open, mostra que sentir-se mais longevo do que o que os dados sociais sugerem aumenta riscos de saúde.
- Não é apenas estar sozinho; a diferença entre estar isolado e sentir-se sozinho, chamada de “assimetria social”, pode mudar trajetórias de saúde mesmo com a mesma situação social.
- Em Inglaterra, com 7.845 adultos acima de cinquenta anos ao longo de cerca de 13,6 anos, a assimetria entre isolamento objetivo e solidão subjetiva ficou associada a maior mortalidade, doença cardiovascular e doença pulmonar obstrutiva crônica.
- Pessoas isoladas socialmente sem sentir solidão tiveram risco pouco elevado, já quem se sentia solitário mesmo sem isolamento intenso apresentou maior risco; quem era socialmente vulnerável combinou solidez com maior mortalidade.
- Além de ampliar redes, pesquisadores destacam que intervenções devem atacar também percepções e hábitos, e que prescrição social pode ajudar a ligar serviços de saúde a recursos comunitários.
O que parece ser igual pela aparência nem sempre é igual na prática. Pesquisadores devem distinguir entre estar sozinho e sentir-se isolado, pois o corpo reage de forma diferente a cada situação. Um estudo da Cornell, publicado na JAMA Network Open, aponta que quem se sente mais solitário do que o ambiente social indica está em maior risco de problemas de saúde.
Os pesquisadores analisaram 7.845 adultos com mais de 50 anos, na Inglaterra, acompanhados por cerca de 13,6 anos. A conclusão central é a de que o descompasso entre isolamento objetivo e solidão subjetiva — chamado de assimetria social — aumenta a probabilidade de mortalidade, doença cardíaca e doença pulmonar obstrutiva.
A pesquisa identificou dois grupos: os socialmente vulneráveis, que se sentem solitários mesmo com redes sociais indicadas, e os socialmente resilientes, que apresentam isolamento sem sentir solidão. Entre eles, a vulnerabilidade está associada a maior risco de várias causas de morte.
Entre os resultados, também houve evidência de que sentimentos de solidão crônicos elevam a percepção de ameaça em interações futuras, o que leva ao afastamento social. Esse ciclo é mais evidente entre quem apresenta lonilidade crônica elevada.
O estudo recomenda que a intervenção vá além de ampliar o conjunto de contatos sociais. É preciso considerar dinâmicas perceptivas e comportamentais que mantêm a solidão, bem como fatores estruturais que a geram, afirmam os autores.
A Organização Mundial da Saúde registra que cerca de 16% da população global sente solidão. Por isso, há interesse em abordagens como a prescrição social, que vincula serviços de saúde a atividades comunitárias, como grupos de caminhada, voluntariado e clubes de jardinagem.
Segundo a OMS, um a cada cinco atendimentos primários envolve questões não clínicas, como isolamento social e dificuldades financeiras. Países como o Reino Unido já incorporaram a prescrição social em políticas de saúde nacional, com mais de 1 milhão de encaminhamentos anuais.
Especialistas destacam que a prescrição social pode enfrentar o determinante social da saúde ao produzir mudanças no cotidiano. A NASP, em breve, atuará como Centro Colaborador da OMS para políticas de prescrição social, apoiando países na implementação dessas políticas.
O estudo de longo prazo reforça a necessidade de identificar quem está em maior risco antes que as consequências ocorram. Em comunicação pública, autoridades ressaltam que a relação entre saúde e solidão exige ações coordenadas entre serviços clínicos, redes comunitárias e políticas públicas.
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