Em Alta NotíciasConflitosPessoasAcontecimentos internacionaiseconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Povos indígenas e pesquisadores descrevem nova palmeira amazônica

Nova espécie de palmeira, Attalea taam, é descrita na Amazônia colombiana, em parceria com os Cacua, com mapeamento participativo e coautoria indígena

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Botanistas Rodrigo Cámara-Leret e Juan Carlos Copete, com apoio dos Cacua, identificaram uma nova espécie de palmeira na aldeia de Wacará, no rio Vaupés, na Amazônia colombiana, em 2025, após provar o fruto táam.
  • A palmeira, alta e com frutos doces e azedos, foi batizada Attalea taam em homenagem ao nome tradicional dos Cacua, e a descoberta envolveu mapeamento participativo da distribuição da planta.
  • Quatro membros do povo Cacua foram coautores do estudo, cuja descrição foi publicada na revista Phytotaxa, incorporando a visão indígena no processo científico.
  • O envolvimento da comunidade resultou em um mapa participativo da região e da distribuição da palma, gerado a partir do conhecimento local, com validação conjunta entre pesquisadores e moradores.
  • A pesquisa destaca a relevância de parceria entre comunidades indígenas e cientistas para a identificação, documentação e preservação de diversidade biológica.

Em 2025, os botânicos Rodrigo Cámara-Leret e Juan Carlos Copete percorreram o rio Vaupés, na Amazônia colombiana, por duas horas de barco, seguidas de uma caminhada até a aldeia Wacará, habitada por cerca de 140 povos Cacua isolados. O objetivo era estudar plantas medicinais usadas pelo grupo, um dos menores do país.

Durante a primeira refeição na aldeia, crianças ofereceram uma fruta amarelada, de formato caído, chamada táam, que os pesquisadores não haviam visto antes. A princípio, imaginaram que fosse de uma palmeira introduzida do Brasil, mas perceberam que poderia ser uma espécie nova.

Descoberta e método participativo

A descoberta não ocorreu apenas pela observação botânica: a dupla decidiu envolver a comunidade no processo, reconhecendo o saber tradicional dos Cacua. Guiados por um caçador e por três anciãos, os pesquisadores adentraram a floresta para localizar a palmeira que produzia o fruto doce-azedo.

Ao encontrarem árvores de cerca de 20 metros, coletaram amostras de fruto, folhas e flores junto com a comunidade, preservando partes apenas quando maturas. A análise microscópica confirmou que se tratava de uma espécie ainda desconhecida pela ciência.

Características e contexto científico

A palmeira, pertencente ao gênero Attalea, apresenta caule com anéis laranjas e marrons nas folhas, além de pétalas com pelos e seis características distintas nas flores. Apesar de comum na região, a espécie passou despercebida, possivelmente pela escassez de coletas científicas na área habitada pelos Cacua.

As dimensões da palmeira dificultam o manejo: pode exceder 20 metros de altura, com folhas que chegam a 12 metros. A identificação ocorreu graças à combinação entre conhecimento tradicional e métodos científicos, segundo Cámara-Leret.

Participação da comunidade e reconhecimento

Em final de 2025, os pesquisadores retornaram a Wacará com a notícia e envolveram os moradores no estudo da ecologia e distribuição da palmeira. Jovens e adultos mapearam seis populações previamente desconhecidas pelos Cacua, gerando um mapa que retrata a paisagem do ponto de vista local.

O mapa, publicado junto com a descrição da espécie no periódico Phytotaxa, ilustra a distribuição da táam com base nos ensinamentos da comunidade, incluindo rios e morros sem nomes oficiais. Quatro membros da comunidade aparecem como coautores do estudo.

Descrição científica e impacto

A nova espécie recebeu o nome Attalea taam, em referência ao nome tradicional utilizado pelos Cacua. Além da descrição científica, houve um processo de revisão interna com a comunidade, incluindo traduções para espanhol e para a língua cacua, que divulgou sugestões e informações adicionais, como espécies animais associadas à dispersão das sementes.

Especialistas externos destacaram o valor da parceria entre ciência e povos tradicionais. A pesquisadora Aida Shafreena Ahmad Puad, que não participou do estudo, ressaltou que esse modelo pode estabelecer padrões para pesquisas em territórios indígenas, fortalecendo a integridade científica e a base ética do trabalho.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais