- Estudo publicado na Nature Climate Change avaliou cinco modelos de remoção de carbono para manter o aumento de temperatura em 1,5°C acima do período pré-industrial.
- Pesquisadores mapearam onde seriam feitas remoções de carbono em grande escala, como novas florestas e plantações de bioenergia, e cruzaram esses locais com habitats de biodiversidade.
- Aproximadamente 13% das áreas de biodiversidade mundial importantes se sobrepõem às regiões designadas para remoção de carbono.
- Evitar essas áreas de alta biodiversidade reduziria em mais da metade o espaço disponível para remoção de carbono até a metade do século.
- O estudo ressalta que a remoção de carbono não deve ser descartada e, em cenários favoráveis, pode deixar até 25% mais habitat para biodiversidade, dependendo da recuperação dos ecossistemas, com grande parte das áreas identificadas no Global Sul; a mensagem principal é que a redução de emissões continua essencial.
O estudo analisa como a remoção de carbono por meio de reflorestamento e culturas de bioenergia pode ocupar áreas vastas de terra. A pesquisa questiona se ampliar florestas pode entrar em conflito com a preservação da biodiversidade.
Autores mapeiam onde modelos climáticos indicam uso de terra intensivo para remoção de carbono, como novas florestas ou plantações de bioenergia. Em seguida, comparam esses locais com habitats de espécies importantes.
O trabalho, publicado na Nature Climate Change, usa cinco modelos para chegar a cenários que limitariam o aquecimento a 1,5°C acima do pré-industrial. Rubén Prütz, do Potsdam Institute, lidera a equipe.
Paralelamente, o estudo amplia o alcance para cerca de 135 mil espécies, incluindo fungos e invertebrados, além de plantas e vertebrados. A ideia é entender efeitos reais sobre a vida no planeta.
A análise mostra que evitar áreas de maior biodiversidade reduziria bastante o espaço para remoção de carbono. Segundo os cálculos, o território disponível cairia pela metade até a metade do século.
Os pesquisadores ressaltam que o resultado não invalida a remoção de carbono. Florestas podem desacelerar o aquecimento e reduzir o estresse climático em ecossistemas.
Estima-se que, se a restauração ocorrer de forma bem planejada, a remoção de carbono pode ampliar até 25% o habitat disponível para biodiversidade em certos cenários, dependendo da recuperação dos ecossistemas.
A geografia é desigual: muitos espaços para remoção ficam no Sul Global, o que levanta questões de equidade, pois os países ricos são responsáveis pela maior parte das emissões históricas.
Para muitos cientistas, a mensagem é simples: a redução de emissões continua sendo a tarefa central, com a remoção de carbono atuando como complemento.
A leitura completa do artigo, assinado por John Cannon, está disponível na publicação citada. A pesquisa enfatiza uso responsável de soluções baseadas em terra para o clima.
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