- Um estudo associou a exposição a pesticidas agrícolas de Peru ao aumento do risco de câncer, com base em dados ambientais, registros de câncer e amostras biológicas.
- Zones com exposição moderada a alta cobriram mais de um terço do território peruano, com contaminação estendendo-se de 30 a 50 quilômetros além das áreas cultivadas.
- A análise mostrou que o risco de desenvolver câncer nessas áreas era 150% maior do que em regiões com menor exposição.
- Dados de mais de 150 mil pacientes diagnosticados entre 2007 e 2020 foram usados para cruzar mapas de pesticidas com registros de câncer.
- Os pesquisadores destacam que certos tumores Compartilham vulnerabilidades biológicas ligadas à origem celular e que as exposições contínuas podem favorecer cânceres do trato gastrointestinal, pulmões e pele; destacam ainda que a hepatocarcinoma afeta mais jovens com ancestralidade indígena em Junín.
Um estudo internacional associou a exposição a pesticidas agrícolas a um risco maior de câncer no Peru. A pesquisa analisou dados ambientais, registros de câncer e amostras biológicas para entender o vínculo entre pesticidas e a doença.
Os pesquisadores destacam que, embora a carcinogenicidade real dos pesticidas ainda seja entendida de forma limitada, a relação observada aponta para alterações biológicas associadas ao risco aumentado de câncer em áreas com maior exposição.
O estudo é fruto de colaboração entre o Institut Pasteur, a Université de Toulouse, o IRD e o Instituto Nacional de Doenças Neoplásicas do Peru. A análise abrangeu seis anos, de 2014 a 2019, para modelar a dispersão ambiental.
Metodologia e alcance
A equipe criou um mapa de alta resolução das zonas com maior exposição, incorporando diversas substâncias químicas agrícolas. A dispersão ambiental foi simulada em relação ao território peruano e aos padrões de transporte a longas distâncias.
Ao cruzar o mapeamento com os registros de câncer, foram examinados dados de mais de 150 mil pacientes diagnosticados entre 2007 e 2020. As áreas de risco moderado a alto somaram mais de um terço do país.
Principais achados
As zonas com maior exposição concentraram-se nos altos andinos e encostas, onde a baixa precipitação pode favorecer o acúmulo de pesticidas. Dados moleculares indicaram perturbações em processos celulares, sugerindo efeitos precoces e cumulativos.
O estudo aponta que certos tumores, apesar de afetarem órgãos diferentes, compartilham vulnerabilidades biológicas vinculadas à origem celular, potencialmente enfraquecidas pela exposição.
Implicações e contexto
Os cientistas observam que o hepatocarcinoma é mais frequente entre jovens com ascendência indígena, especialmente em Junín. A hepatopatia é relevante na metabolização de químicos, servindo como marcador de exposição ambiental.
Apesar de os pesticidas não constarem como carcinogênenos classificados pela OMS, a pesquisa reforça a necessidade de políticas que integrem equidade socioambiental. O objetivo é reduzir danos ecológicos e proteger grupos vulneráveis.
Considerações finais
Os autores reforçam que mapear a exposição ambiental é complexo, especialmente em regiões com agrometrópicas intensivas e acesso limitado a saúde. A intervenção pública gradual deve considerar desigualdades históricas e impacto regional.
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